Em meio a um cenário de ameaças em constante evolução e diante de cerca de 1 bilhão de ataques recebidos mensalmente, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) adotou uma abordagem contínua para a gestão do risco cibernético. Durante o Security Leaders Salvador, Gustavo Barbosa, Assessor de Segurança da Informação do Tribunal, explicou que o foco da estratégia é traduzir os riscos em informações relevantes para o negócio, ampliando a discussão para além do universo técnico e apoiando decisões mais assertivas em toda a organização.
O estudo de caso, apresentado por Barbosa ao lado de Andrea Campelo, CEO da TecnoAtiva, mostrou como o TJBA trabalha a partir de uma lógica de governança, identificação e proteção. O ponto central, segundo o assessor, é fazer com que os riscos conhecidos sejam compreendidos pela alta administração e pelas áreas de negócio, permitindo definir prioridades antes que uma vulnerabilidade se converta em incidente.
Segundo o executivo, a gestão de riscos se torna mais efetiva quando as informações de Segurança são conectadas aos impactos para o negócio. Nesse contexto, os indicadores deixam de cumprir apenas uma função operacional e passam a apoiar discussões estratégicas em toda a organização. “Você sabe quais são os principais riscos que podem trazer maiores impactos para a instituição. Então, para isso, você foca na governança”, afirmou Gustavo Barbosa.
Um risco que não espera
Na visão do executivo, diferentemente de outros riscos corporativos, que podem ser avaliados em ciclos mais longos, o risco cibernético pode mudar a qualquer momento a partir de uma nova vulnerabilidade, ameaça ou alteração no ambiente de negócio. É nesse ponto que entra a proposta de gestão contínua apresentada no palco do Security Leaders em Salvador: acompanhar diariamente a evolução do risco e utilizar essa informação para orientar a resposta da organização.
Para o executivo, a velocidade das mudanças no cenário cibernético reforça a necessidade de uma abordagem cada vez mais integrada entre Segurança e negócio. “Tudo muda o tempo todo. O cenário que avaliamos hoje pode mudar de alguma forma amanhã”, disse Gustavo Barbosa. Segundo ele, envolver as áreas de negócio nos comitês de Segurança amplia a compreensão dos riscos em toda a organização e fortalece o processo de tomada de decisão.
Inovação aplicada à Cibersegurança
A lógica também se aplica à adoção de novas tecnologias. Em vez de tratar inovação como algo que a Segurança deve bloquear, a proposta defendida pelo TJBA é adaptar os controles ao novo cenário. Nesse contexto, a IA aparece como uma ferramenta para ampliar a capacidade de análise de impactos, vulnerabilidades e ameaças, além de contribuir para a defesa e a neutralização de riscos.
No TJBA, a gestão contínua do risco cibernético também passa pela adoção de novas tecnologias capazes de apoiar a identificação e a resposta às ameaças. “A Inteligência Artificial acoplada a uma solução de Cibersegurança é extremamente importante hoje. Até porque quem está do outro lado também usa esse recurso para atacar”, conclui Barbosa.