Apenas 22% das organizações conseguiram escalar com sucesso a Inteligência Artificial (IA) em múltiplas unidades de negócios ou adotaram uma abordagem AI-first, aponta levantamento do Gartner. O estudo realizado entre janeiro e abril de 2026, com 1.303 executivos de empresas com receita anual acima de US$ 50 milhões, revela ainda que 11% das companhias desconhecem os gastos de suas áreas com a tecnologia. Apesar do cenário, os investimentos seguem acelerados e 85% dos líderes planejam aumentar seus aportes, após destinarem, em média, 12% dos orçamentos à IA.
“Essa falta de visibilidade financeira aumenta os riscos à medida que os investimentos aceleram”, afirma Tina Nunno, Vice-Presidente Emérita do Gartner e Gartner Fellow. “Sem uma mensuração disciplinada diretamente vinculada aos resultados de negócios, as organizações correm o risco de desperdiçar recursos e não atender às expectativas.”
O estudo aponta que empresas de alto desempenho, que monitoram o retorno sobre o investimento (ROI) e tratam a IA como portfólio de valor, relatam retorno positivo em 81% das iniciativas. Já entre as empresas de baixo desempenho, 29% sequer sabem a taxa de retorno dos projetos. Além disso, a busca por produtividade é o objetivo primário para 75% dos líderes, absorvendo cerca de 30% dos orçamentos de IA. O debate sobre investimentos estratégicos na tecnologia será um dos destaques da Conferência Gartner CIO & IT Executive, que acontece de 21 a 23 de setembro, em São Paulo.
“Os líderes de área que acompanham cada dólar investido por categoria de resultado, como produtividade, crescimento da receita, mitigação de riscos ou inovação, estão mais bem posicionados para justificar os investimentos e realocar recursos rapidamente caso seus projetos apresentem desempenho baixo”, afirma Nunno. “Sem uma mensuração disciplinada diretamente vinculada aos objetivos de negócio, as organizações ficam sujeitas à alocação inadequada de recursos e à perda de oportunidades à medida que o nível de escrutínio aumenta.”
A pesquisa destaca também uma desconexão entre a popularidade dos casos de uso e os reais retornos financeiros. Na área de TI, as aplicações mais adotadas são detecção de ameaças (54%), automação de service desk (54%) e geração de código (44%). No entanto, os maiores retornos positivos foram registrados em otimização inteligente de ativos e custos de TI (40%), geração de dados sintéticos (28%) e geração de código (23%), evidenciando que iniciativas populares raramente geram o maior valor tangível.
“As organizações estão obtendo o maior valor quantificável a partir de casos de uso menos comuns e estrategicamente selecionados, que estão fortemente alinhados às suas necessidades de negócios específicas”, afirmou Nunno. “Chief Executive Officers (CEOs) e Chief Information Officers (CIOs) precisam identificar quais casos de uso de IA realmente geram retornos financeiros positivos, para que possam definir metas claras e eficazes para cada área e liderança.”