Se a maturidade cibernética é crucial para garantir gestão eficiente dos riscos, como começar a elevar esse padrão dentro das empresas? Para os líderes de Segurança da Informação que participaram de Painel de Debates a respeito no Security Leaders Porto Alegre, a trajetória precisa passar por maior resiliência, medidas proativas e alinhamento eficiente das parcerias tanto no negócio quanto no compliance corporativo.
Conforme reforça o Gerente de Compliance e Proteção de Dados do Grupo RBS, Wilen Manteli, o risco cibernético está entre as preocupações mais importantes para o negócio nos últimos anos, e por isso, é necessário elaborar uma estratégia que incentive o crescimento dessa maturidade Cyber, focada especialmente em controles preventivos, resiliência digital, gestão de supply chain e transferência de risco a partir de seguros focados nesse quesito.
“São passos importantes para garantir esse foco estratégico para o risco. Envolve, primeiro, adoção de controles mitigatórios de riscos, com vistas a prevenir as ameaças que já conhecemos, formar planos de crise para o momento em que algo acontecer, alinhar expectativas com os parceiros do negócio e avançar em proteções jurídicas e de compliance para que a companhia se preserve após um incidente” explica ele.
Esses quatro pontos são cruciais para que se fortaleça a conexão entre risco e maturidade cibernética, oferecendo insumos mais eficientes ao conselho das companhias para compreender essa aproximação. No caso de setores críticos para o país, tal qual a Saúde, promover esses controles é fundamental para manter as clínicas e hospitais do país condizentes com as auditorias promovidas constantemente pelos agentes reguladores.
Esse contexto leva Cristiano Silveira, Superintendente de Tecnologia e Soluções Digitais da Unimed Porto Alegre, a concordar com o posicionamento de Manteli. Isso porque a percepção dos gestores de risco sobre a Cibersegurança se transformou no sentido de considerar esse contexto como algo fundamental para a preservação dos pacientes e para manter os serviços de Saúde em pleno funcionamento, independentemente de eventuais crises.
“Falar sobre Segurança Cibernética na Saúde é falar de risco. A Unimed é a maior cooperativa de Saúde do mundo, com a singular de Porto Alegre sendo apenas uma dentre 340 pelo Brasil, e o nosso contexto vai além de apenas proteger dados, mas garantir continuidade de uma operação que é crítica para a sociedade. Nesse aspecto, o aumento da maturidade cibernética conversa diretamente com nossa gestão de risco, na condição de ponto focal dessa estratégia”.
O mesmo fato se percebe, segundo o CIO na Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, André Facchini, no poder público estadual. Em contextos assim, é preciso mirar não em jamais ter um impacto, mas em recuperar-se depressa quando esse impacto ocorrer. Para isso, o executivo reforça a importância de se ter um framework estabelecido com a alta gestão que permita guiar as decisões futuras.
“Tivemos esse aprendizado ainda em 2024, quando nos deparamos com um incidente de Segurança interno, que inviabilizou o repasse de recursos para os municípios. Nesse momento, ter um planejamento prévio para o que deve ser feito, em especial, para que as demandas mais críticas continuem sendo cumpridas foi de suma importância para se garantir a continuidade das atividades públicas”, conclui Facchini.
O Painel de Debates “Gestão do Risco Cibernético: como elevar resiliência e maturidade nos ecossistemas e infraestruturas críticas” foi apresentado no Security Leaders Porto Alegre, o quarto evento regional de 2026. A partir de agosto, o maior e mais qualificado evento de Cibersegurança do país seguirá com a sua caravana por um périplo entre as capitais nordestinas de Recife, Salvador e Fortaleza, enquanto aquece os motores para o Security Leaders Nacional, nos dias 21 e 22 de outubro. Acompanhe as atualizações sobre os próximos eventos no portal do Security Leaders.