Perdas com ciberataque à C&M podem ultrapassar R$ 1 bilhão, alerta Polícia Civil

O Delegado do DCCiber de São Paulo, Paulo Eduardo Barbosa, disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que novas instituições financeiras procuraram as autoridades para informar seus prejuízos com o incidente contra as contas reserva mantidas no Bacen. Segundo o investigador, a prioridade agora é encontrar os cibercriminosos responsáveis pela ação

Compartilhar:

O incidente cibernético que atingiu a C&M Software no começo de julho segue trazendo novos desdobramentos: o delegado Paulo Eduardo Barbosa, responsável pelas investigações do caso na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo (DCCiber-PCSP), informou, em entrevista exclusiva ao jornal Valor Econômico, que uma análise preliminar das investigações indica que o prejuízo causado deve superar a estimativa anterior de R$ 1 bilhão.

 

A Polícia paulista já havia confirmado, em entrevista coletiva para anunciar a prisão de um dos envolvidos na ação, que as perdas caracterizariam este como o maior incidente de Cibersegurança da história do país, quando o máximo de perdas confirmadas estava na casa dos R$ 541 milhões. Agora, no entanto, o delegado conta que outras instituições financeiras acusaram perdas em suas contas reservas mantidas no Banco Central do Brasil (Bacen).

 

“Inicialmente foram seis empresas afetadas pelo caso da C&M, mas aos poucos mais instituições estão nos procurando. Tinha o valor de R$ 541 milhões da BMP, agora outro banco nos procurou informando um prejuízo de mais R$ 104 milhões, e outro com R$ 49 milhões. Então, pelas informações que estamos recebendo, com um cálculo preliminar, estimamos que pode passar de R$ 1 bilhão”, disse Barbosa ao jornal.

 

Além da BMP, outras instituições assumidamente impactadas pela ocorrência foram o Credsystem, o Banco Paulista e o Banco Carrefour, mas nenhum desses assumiram publicamente o tamanho da perda. De acordo com o delegado, há uma subnotificação natural nesse caso, pois instituições financeiras cujo desvio não ultrapassou as dezenas de milhões de reais optam por não informar as autoridades por receio de impactar a reputação da empresa.

 

No momento, há uma cooperação em curso entre a Polícia Civil, o Banco Central e as diversas fintechs envolvidas no caso para bloquear o movimento suspeito de quantias cuja origem tenha sido a estrutura de contas reserva. Da mesma forma, a parceria do Ministério Público estadual conseguiu barrar R$ 15 milhões que haviam sido convertidos em criptomoedas.

 

“Quando a quantia roubada vai para cripto, ainda mais se estiver em uma carteira fria, é mais difícil recuperar. Mas se encontrarmos algo, se tiver sido usado para comprar propriedades, veículos, vamos pedir o bloqueio e o sequestro. Estamos na fase de calcular o prejuízo e tentar entender para onde o dinheiro foi desviado”, acrescentou ele.

 

Busca pelos cibercriminosos

O delegado Paulo Barbosa também informou na entrevista que o foco principal das investigações é identificar e deter o grupo cibercriminoso responsável por aliciar o operador de TI da C&M Softwares João Nazareno Roque, acusado de ser o Insider que facilitou o acesso dos agentes hostis ao sistema interno da fornecedora por R$ 15 mil. Ainda não há informações sobre a origem do resto da organização, mas a Polícia Civil entende que é formada essencialmente por brasileiros.

 

“O importante foi termos conseguido pegar o fio da meada, prender o funcionário e conseguir acesso às duas máquinas que ele usou, isso nas primeiras 48 horas. Agora estamos no trabalho de extração das informações destes computadores. Foi um ataque que explorou a vulnerabilidade do sistema, usando uma empresa é que autorizada pelo BC, apesar de não ser fiscalizada por ele”, concluiu Barbosa.

 

Presidente do Bacen se pronuncia

O incidente levou a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados a convocar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a prestar esclarecimentos em audiência pública. O executivo evitou revelar a quantia desviada do Bacen, mas ressaltou que a infraestrutura mantida pela autoridade monetária para proteger as transferências automatizadas do Pix segue íntegra.

 

“O Banco Central movimenta aproximadamente R$ 8 trilhões por dia. Se tivesse acessado o sistema do Banco Central, seria um problema de outra monta. Ele acessou a conta da instituição especificamente. Os sistemas estão íntegros dentro do Banco Central”, afirmou.

 

*Com informações do jornal Valor Econômico e Folha de S. Paulo

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Articulação global é crítica para transformar proteção de dados, defende Observatório Iberoamericano

Em um mundo onde as informações dos indivíduos não estão mais restritas às fronteiras nacionais, construir cooperação com nações vizinhas...
Security Report | Destaques

Cyber na era dos agentes: como o setor se transforma com a IA autônoma?

Debate no Security Leaders Brasília aborda a transição da automação simples para sistemas autônomos, o futuro do Nível 1 de...
Security Report | Destaques

Ecossistemas em risco ampliam necessidade de proteger supply chain

Líderes de Segurança do setor financeiro discutiram as novas ameaças abertas na cadeia de fornecimento, em especial vulnerabilidades não monitoradas,...
Security Report | Destaques

Por dentro da gestão de risco: Executivos apontam ações para ampliar maturidade Cyber

Líderes de Segurança gaúchos reforçam que a melhor estratégia para gerenciar riscos digitais envolve uma boa maturidade cibernética, construída a...