As tentativas de golpes bancários cresceram 35% nos últimos 12 meses, aponta o relatório Global Scams 2026, da BioCatch. O estudo reuniu dados de mais de 370 instituições financeiras de 21 países, que atendem 760 milhões de usuários. Embora expressiva, a alta ficou abaixo dos 65% registrados na edição de 2025. O resultado indica que os bancos que adotam inteligência comportamental têm conseguido conter parte das tentativas de fraude.
O celular se consolidou como o principal canal dos criminosos, sendo a origem de nove em cada dez sessões de golpe no período — alta de cinco pontos percentuais ante o ciclo anterior. Nas fraudes tradicionais não autorizadas, o dispositivo móvel respondeu por 75% das ocorrências. O cenário reflete o comportamento nacional: segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, 78% das transações no país ocorreram via celular em 2025, totalizando 187,5 bilhões de operações.
No Brasil, os dados do levantamento Digital Banking Fraud Trends in Latin America 2026 apontam avanço acentuado em duas frentes. Os golpes de personificação, em que o criminoso se passa por funcionário de banco, empresa ou órgão público, cresceram cerca de 140%. Já as fraudes executadas com celulares roubados subiram 340%, com pico no último trimestre de 2025.
O estudo global destaca que sinais no dispositivo e no comportamento do usuário permitem aos bancos intervir antes da perda financeira. Fatores como chamadas ativas durante a sessão, softwares de acesso remoto instalados e comportamentos atípicos no cadastro de novos favorecidos indicam coação. Esse padrão é comum no golpe da falsa central, no qual o golpista orienta a transferência passo a passo. Na América Latina, fraudes com ferramentas de acesso remoto cresceram 409% em 2025.
“Os golpes de engenharia social não ficaram, de repente, menos frequentes ou menos sofisticados”, afirma Thomas Peacock, diretor global de inteligência contra fraudes da BioCatch. “Pelo contrário, a inteligência artificial reduziu a barreira de entrada para aspirantes a golpistas e permitiu que mais criminosos criassem golpes mais convincentes, em uma escala nunca vista. Em resposta, muitos bancos perceberam que a inteligência comportamental permite identificar sinais de manipulação e coação antes mesmo que o correntista autorize uma transação”.
A pressão sobre o setor no país supera a média internacional. Na pesquisa The Future of Digital Trust 2026, 89% dos 100 líderes de risco ouvidos no Brasil relataram aumento nas tentativas de golpe, contra 81% no mundo. Além disso, 63% identificaram deepfakes nos últimos 12 meses, ante 50% na média global, e 90% apontam a IA agêntica como a maior vulnerabilidade futura.
Diante disso, a resposta das instituições financeiras brasileiras foca na velocidade de contenção. O levantamento revelou que 70% dos executivos no Brasil priorizam a detecção de fraude em tempo real com apoio da inteligência artificial, índice superior aos 60% observados globalmente. Já a análise comportamental e de intenção é prioridade de integração para 43% dos líderes locais, contra 27% no mundo.
“O grande desafio da fraude em tempo real é que, em muitos casos, não há uma identidade falsa: é o cliente verdadeiro, no próprio dispositivo, autenticado corretamente, transferindo o dinheiro. O problema é entender se aquela decisão é realmente dele ou se está sendo conduzida por um agente malicioso. É aí que a inteligência comportamental passa a ser fundamental”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.
Entre as modalidades analisadas no levantamento global, os golpes com falsas ofertas de emprego lideraram o crescimento em 2026, com alta de 258% nas vítimas. Os golpes de investimento seguem gerando as maiores perdas financeiras, com prejuízo médio de US$ 6.600 por ocorrência, cinco vezes a média geral. As fraudes de compras permaneceram como as mais frequentes, somando 33% do total de tentativas reportadas, enquanto os golpes românticos subiram 23%.