IA na Cibersegurança: automação e dados confiáveis orientam a adoção prática

Uso estratégico da inteligência artificial começa pela priorização de processos e riscos, enquanto governança e supervisão humana sustentam uma defesa mais eficiente

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A adoção da IA na Cyber exige mais do que incorporar ferramentas ao ambiente corporativo. Para transformar a tecnologia em capacidade efetiva de defesa, as organizações precisam identificar onde ela pode gerar valor, automatizar atividades operacionais, qualificar dados e integrar soluções aos processos já existentes. Esse foi um dos principais pontos discutidos no programa TV Security, realizado em parceria com a Check Point, com o tema “IA versus IA: Como criar estratégias práticas que funcionam hoje”. 

  

“Se tratando de Cibersegurança, se você não tem um dado preciso, você não tem uma proteção de mitigação assertiva também”, afirmou Júlio Signorini, gerente executivo de Tecnologia e Soluções Digitais na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para o executivo, a qualidade das informações é fundamental para aumentar a assertividade na identificação de ameaças e na resposta a incidentes. 

  

Na prática, esse movimento já aparece em soluções que utilizam IA Agêntica para detectar anomalias e filtrar alertas destinados aos centros de operações de segurança (SOCs). Ao qualificar os dados e reduzir o volume de informações que precisa ser analisado manualmente, esses recursos podem ajudar as equipes a direcionar a atenção para ocorrências relevantes e acelerar a tomada de decisão. 

  

A automação de processos é, na avaliação de Signorini, um dos caminhos mais promissores para iniciar essa adoção. Atividades repetitivas e operacionais podem ser priorizadas para ampliar a produtividade e dar mais agilidade às respostas. O avanço, porém, depende de uma implementação gradual, com avaliação dos resultados, definição de responsabilidades e atenção aos custos envolvidos. 

  

Outro desafio está na escolha das tecnologias. Durante o debate, Eduardo Gonçalves, Country Manager Brasil da Check Point, chamou a atenção para a oferta de soluções que prometem capacidades amplas, mas podem atender apenas a casos de uso específicos. Uma ferramenta voltada à identificação de phishing, por exemplo, não cobre necessariamente outros vetores de ataque. Por isso, antes de contratar ou implementar um recurso, é importante entender qual problema ele resolve e como se conecta à arquitetura de segurança já existente. 

  

Essa avaliação também deve considerar a exposição real da organização, as vulnerabilidades prioritárias e as informações de inteligência de ameaças disponíveis. Em vez de substituir todo o ambiente tecnológico, a estratégia pode envolver a integração dos recursos existentes e a escolha criteriosa dos pontos em que a IA oferece ganhos concretos. Testes em ambientes controlados antes da contratação ou da adoção em produção ajudam a verificar o funcionamento das soluções e a reduzir riscos. 

  

Da automação à gestão de riscos 

  

A velocidade dessa transformação aumenta a pressão sobre as equipes de segurança. Na abertura da discussão, Graça Sermoud destacou a rápida mudança do cenário: em um intervalo curto, o debate sobre agentes de IA passou da automação à autonomia, enquanto os cibercriminosos também passaram a explorar esses recursos com mais agilidade. A capacidade defensiva, portanto, precisa evoluir sem perder de vista os riscos associados ao uso da tecnologia. 

  

Nesse contexto, Sgnorini ressaltou que recursos e componentes encontrados na internet não devem ser incorporados sem validação. A experimentação precisa ocorrer em condições controladas, com avaliação técnica e acompanhamento dos responsáveis pela segurança. O CISO tem papel central nesse processo, tanto na definição dos limites de uso quanto na autorização de ações que possam afetar o ambiente corporativo. 

  

A responsabilidade, entretanto, não se restringe às áreas de TI e cibersegurança. “A IA pertence não só à TI e à Cyber, mas pertence ao negócio”, afirmou o executivo. A frase resume a necessidade de envolver diferentes áreas na discussão, incluindo jurídico, privacidade e liderança executiva, para estabelecer critérios de uso, responsabilidades e mecanismos de supervisão. 

  

A governança também passa pela conscientização dos colaboradores sobre o compartilhamento de informações corporativas em ferramentas externas de IA. Mesmo quando uma tecnologia oferece ganhos de produtividade, o uso de dados sensíveis exige critérios claros e controles compatíveis com os riscos. 

  

Com a ampliação da autonomia dos agentes, a supervisão humana continua indispensável para avaliar contexto, intenção e consequências das ações automatizadas. Para os especialistas, o próximo passo é que os profissionais de Segurança se apropriem da gestão desses agentes e avancem de forma estruturada. O desafio não é apenas adotar IA, mas integrá-la à operação com dados confiáveis, objetivos definidos e responsabilidade sobre as decisões. 

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