Golpes de Black Friday avançam e ameaçam o sequestro de contas bancárias, WhatsApp e e-mails

Especialista da ASAPTECH alerta que invasões de conta conhecidas como 'account takeover' causam prejuízos muito maiores do que o valor da compra promocional

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A Black Friday mobiliza o varejo com previsões de movimentar R$ 14,47 bilhões em 18,3 milhões de pedidos, impulsionando a busca por ofertas bem antes do evento. Na mesma velocidade, crescem os anúncios e sites falsos que imitam lojas, bancos e transportadoras. O prejuízo pode ir além do valor de uma compra fraudulenta, pois promoções são usadas como isca para roubar senhas, instalar programas maliciosos e invadir contas de WhatsApp, e-mail e bancárias na modalidade conhecida como account takeover (ATO).

 

Depois de assumir uma conta, o criminoso se passa pela vítima para solicitar dinheiro a familiares e clientes ou acessar outros serviços. O e-mail exige atenção redobrada por ser o canal padrão para recuperação de credenciais. Marco Grecco, CTO da ASAPTECH, esclarece que a aprovação do pagamento não atesta a veracidade da loja. O risco não acaba no dinheiro investido, sendo a fraude muitas vezes a porta de entrada para a captura de dados e invasões em cadeia.

 

“O pagamento pode ser processado normalmente mesmo quando a loja é falsa ou o vendedor é um golpista. A aprovação da transação não atesta que aquele vendedor é confiável. E o risco não acaba no dinheiro da compra: o golpe também pode ser uma tentativa de roubar dados e invadir outras contas”, afirma.

 

O WhatsApp é utilizado em diversas etapas da fraude, desde a personificação até a captura de códigos de registro ou envio de arquivos maliciosos. Alerta do Governo Digital mostra que contas comprometidas foram usadas para enviar arquivos compactados que instalavam programas maliciosos em computadores com Windows para capturar credenciais financeiras. Manter sistemas desatualizados e conceder permissões indevidas no Android também facilita o acesso de criminosos aos dados da vítima.

 

Embora a inteligência artificial facilite a criação de mensagens e áudios convincentes em escala, fraudes tradicionais com fotos copiadas e perfis falsos continuam eficazes. O recomendável é que o consumidor interrompa a interação diante de mensagens suspeitas e valide as informações diretamente nos canais oficiais das marcas.

 

“Não dá para colocar sobre o consumidor a responsabilidade de reconhecer uma voz clonada, um vídeo falso ou cada detalhe técnico de um ataque. A recomendação precisa funcionar mesmo quando tudo parece verdadeiro: pare, não abra o link ou o arquivo recebido e confirme a informação por outro canal, acessado por você”, explica Grecco.

 

Para se proteger, o consumidor deve buscar ofertas digitando o endereço diretamente no navegador ou no aplicativo oficial, conferindo com rigor o vendedor e os dados do recebedor antes de concluir pagamentos via Pix ou cartão virtual. É essencial desconfiar de abordagens que proponham negociações fora das plataformas e de mensagens com tom de urgência. A segurança exige a ativação da autenticação em duas etapas, o uso de senhas exclusivas e a recusa ao download de arquivos ou aplicativos em conversas.

 

As empresas também compartilham a responsabilidade de garantir clareza sobre cobranças e canais de suporte ao cliente. Se for vítima de um golpe via Pix, o consumidor deve acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central em até 80 dias ou contatar o emissor do cartão para contestar a transação. Em casos de invasão, a orientação é alterar as senhas a partir de um dispositivo seguro, encerrar sessões ativas e registrar o boletim de ocorrência.

 

“A infraestrutura protege o processamento da transação, mas isso não basta. O cliente precisa saber quem está cobrando, quanto vai pagar e a quem recorrer se houver um problema. A segurança deve estar presente em toda a experiência de compra, não só na hora de autorizar o pagamento”, conclui.

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Rui Borges

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