A Proofpoint, Inc. e o Ponemon Institute divulgaram as descobertas do quinto relatório anual Cyber Insecurity in Healthcare, revelando que os ataques cibernéticos aumentam em frequência, custo e impacto nas organizações de saúde dos EUA. O levantamento aponta que 97% das instituições sofreram pelo menos um ataque nos últimos 12 meses, das quais 74% relataram interrupções diretas no atendimento aos pacientes. O número médio de ataques subiu de 43, em 2025, para 51, enquanto o custo médio do incidente mais caro aumentou quase 8%, alcançando US$ 4,2 milhões.
“A resiliência cibernética tornou-se essencial para a resiliência da saúde”, disse Ryan Kalember, diretor de estratégia da Proofpoint. “Quando um ataque cibernético atrasa um procedimento, prolonga a permanência hospitalar ou força a transferência de pacientes para outra instalação, o risco cibernético se torna um risco para o paciente. A IA agora está adicionando uma nova dimensão, à medida que pessoas e sistemas de IA acessam os mesmos fluxos de trabalho clínicos e dados confidenciais. As organizações de saúde precisam de uma segurança construída em torno dessas interações para que possam adotar a IA sem comprometer a confiança da qual o atendimento ao paciente depende.”
O relatório, baseado em entrevistas com 705 profissionais de TI e segurança, destaca que a interrupção operacional se consolida como o maior custo financeiro para o setor. O tempo de inatividade e a recuperação custaram em média US$ 1,39 milhão, seguidos por US$ 1,05 milhão devido à perda de produtividade. Em paralelo, a adoção de inteligência artificial avança mais rápido do que a governança: 45% das organizações já integraram IA em suas operações, mas 60% carecem de controles para governar dados confidenciais e apenas 42% utilizam medidas de segurança específicas para sistemas inteligentes e agentes autônomos.
Os impactos cibernéticos chegam diretamente ao leito do paciente por meio de complicações em procedimentos, estadias hospitalares mais longas e atrasos em exames. Os ataques à cadeia de suprimentos lideraram as consequências clínicas, afetando 90% das organizações atingidas. Já o ransomware esteve mais associado a internações prolongadas, enquanto o comprometimento de e-mail corporativo gerou atrasos com desfechos negativos. A perda de dados confidenciais também afetou o atendimento em 54% das instituições que relataram exfiltração, sendo atribuída à negligência humana e, em 24% dos casos, a agentes de IA sem barreiras de proteção.
A migração de aplicações clínicas para a nuvem ampliou os riscos de comprometimento de contas, afetando o atendimento de 65% das organizações que passaram por esse tipo de incidente. Por outro lado, o relatório observa que menos instituições estão cedendo a extorsões: o percentual de pagamento de resgates em casos de ransomware caiu de 33% para 31%, e o valor médio do resgate mais caro recuou de US$ 1,2 milhão para US$ 1,1 milhão. No entanto, as consequências clínicas persistem, com 72% das organizações atingidas por ransomware relatando interrupções no cuidado aos pacientes.