A Proofpoint, Inc. lançou o relatório Voice of the CISO 2026, revelando sinais de maior resiliência cibernética no Brasil, embora a complexidade dos riscos corporativos continue em expansão. O percentual de Diretores de Segurança da Informação no país que preveem ataques cibernéticos materiais nos próximos 12 meses recuou de 86% para 54%, enquanto os relatos de perda material de dados caíram de 85% para 53%.
Conduzido mundialmente com 1.600 CISOs em 16 países, o estudo indica que a vulnerabilidade está concentrada na interação entre pessoas, dados e sistemas de inteligência artificial. No Brasil, 72% dos líderes apontam o risco humano como a maior fragilidade corporativa, e 76% devem gerenciar ameaças de IA nos próximos dois anos sem aumento proporcional de recursos ou especialização.
“A IA está mudando fundamentalmente o mandato do CISO”, disse Patrick Joyce, global resident CISO da Proofpoint. “Pede-se aos líderes de segurança que façam duas coisas ao mesmo tempo: Proteger o negócio dos riscos tecnológicos e ajudar a adotar tecnologias transformadoras de forma segura e rápida. À medida que os assistentes de IA, copilotos, automação e ferramentas públicas de GenAI se tornam incorporados aos processos de negócios diários, confia-se nos CISOs para viabilizar a inovação, ao mesmo tempo em que evitam a exposição de dados confidenciais, acesso privileged e fluxos de trabalho críticos. Essa dupla responsabilidade está rapidamente se tornando um dos grandes desafios da função.”
As preocupações com IA generativa subiram para 77% entre os executivos brasileiros, e 87% consideram prioridade máxima viabilizar o uso seguro de copilotos e automações. Apesar de 56% declararem que suas organizações não estão preparadas para ataques direcionados, as ameaças concentram-se em agentes autônomos, plataformas de colaboração e ferramentas públicas de IA. Nas empresas atingidas por perda material de dados, 94% dos executivos apontam o envolvimento de funcionários em processo de saída, enquanto insiders criminosos responderam por 66% dos episódios.
Embora a incidência de vazamentos tenha caído no país, os impactos financeiros e operacionais tornaram-se mais severos. Sanções regulatórias subiram para 43%, perdas financeiras alcançaram 38% e os custos de recuperação saltaram de 33% para 55%. Paralelamente, 81% dos CISOs confiam em suas ferramentas de mitigação, mas 69% temem a exposição involuntária de informações sensíveis por funcionários, levando 77% das companhias a restringirem o uso de GenAI.
O alinhamento com os conselhos de administração atingiu 82%, registrando expressiva alta em relação aos 65% do período anterior. No entanto, 69% dos líderes relatam sobrecarga por expectativas excessivas, e 82% defendem a exigência de especialização em cibersegurança na composição das diretorias corporativas.
“Estamos vivendo uma transformação profunda na natureza do risco cibernético no Brasil”, analisa Marcos Nehme, Country Manager da Proofpoint no país. “Por um lado, é encorajador ver a queda na expectativa de ataques externos. Por outro, o fato de 94% das organizações associarem vazamentos de dados a funcionários em transição de saída revela que o perímetro de segurança hoje é essencialmente humano. O desafio atual do líder de segurança não é mais apenas lidar com invasores, mas proteger a informação na rotina diária de quem busca ser mais produtivo com novas ferramentas de Inteligência Artificial ou durante os movimentos naturais de carreira.”
“Melhorar a resiliência é um sinal encorajador, mas não significa que o ambiente de risco esteja se tornando menos complexo”, disse Patrick Joyce. “O risco está cada vez mais ligado à forma como pessoas, dados, aplicativos e IA interagem diariamente, ao mesmo tempo em que se pede aos CISOs que gerenciem essa exposição em termos de negócios. As descobertas deixam claro que o progresso contínuo dependerá da evolução das estratégias de segurança paralelamente à direção para onde o trabalho e o risco estão se encaminhando.”