A ascensão da Inteligência Artificial generativa e dos agentes autônomos está transformando a forma como software é desenvolvido dentro das organizações. Se antes o desafio era acelerar a entrega de aplicações, agora a preocupação passa a ser como manter qualidade, governança e segurança em um cenário em que códigos podem ser criados em escala por máquinas.
Esse foi o centro da discussão do programa da TVSecurity, que recebeu hoje (18) Julio Concilio, Global Information Security Manager da Braskem, e Daniel Stolf, Engenheiro de Soluções da Delphix, e para debater o desenvolvimento acelerado por agentes e como manter qualidade e segurança.
Para Julio Concilio, a transformação começa antes mesmo da geração do código. Segundo ele, um dos maiores desafios está na capacidade das pessoas formularem corretamente as solicitações para a IA, sempre considerando critérios de segurança e governança desde o início do processo.
“A resposta da IA depende do contexto que fornecemos. Por isso, precisamos envolver diferentes áreas e entender como essa tecnologia fará parte da estrutura organizacional. Não podemos simplesmente entregar tudo para a IA sem considerar os riscos envolvidos”, destacou.
Durante o debate, os executivos reforçaram que práticas tradicionais de engenharia continuam essenciais mesmo diante da automação. Daniel Stolf lembrou que métodos de desenvolvimento, validação e testes utilizados há décadas seguem sendo fundamentais para garantir a confiabilidade dos resultados gerados por agentes inteligentes.
“O teste deixou de ser uma formalidade para se tornar o principal mecanismo de validação. É por meio dele que conseguimos aferir se aquilo que foi produzido realmente é seguro e confiável”, explicou.
Novos papéis e riscos associados
Outro ponto abordado foi a necessidade de evolução do papel dos profissionais de tecnologia. Na visão dos convidados, o desenvolvedor passa cada vez mais a assumir funções de arquitetura, integração e comunicação entre áreas, além da responsabilidade de compreender impactos de segurança ao longo do ciclo de desenvolvimento.
O debate também trouxe reflexões sobre inovação e riscos associados ao uso de códigos de terceiros. Os especialistas alertaram para a necessidade de ambientes controlados para avaliação de componentes externos, principalmente diante do aumento de códigos maliciosos disponíveis em repositórios públicos.
“Nem tudo o que está disponível pode ser utilizado de forma segura. Precisamos criar uma cultura de conscientização para que a inovação aconteça de maneira sustentável, sem comprometer todo o ecossistema da empresa”, observou Concilio.
Ao encerrar o programa, os executivos concordaram que, embora o volume e a velocidade tenham mudado com a IA, os desafios fundamentais permanecem os mesmos. A diferença é que, onde antes existiam dezenas de desenvolvedores, agora podem existir centenas de agentes gerando código simultaneamente. Nesse contexto, processos, guardrails, homologação e testes deixam de ser etapas opcionais para se tornarem elementos indispensáveis da nova era do DevSecOps.