Na era dos agentes, Cibersegurança precisa nascer integrada às soluções?

Na visão da CIO da TDSynnex, sim. Durante o Power UP Brasil 2026, Kristie Grinnell defendeu que a Segurança não pode ser tratada como uma etapa posterior do processo, mas incorporada desde a concepção

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A aceleração da inteligência artificial está mudando a forma como as empresas encaram a Cibersegurança. Com múltiplos modelos, agentes e novas vulnerabilidades surgindo rapidamente, a proteção deixa de ser uma camada adicional e passa a fazer parte da própria arquitetura das soluções. Essa foi uma das principais mensagens da coletiva de imprensa com Kristie Grinnell, CIO Global da TD SYNNEX, e Vidya Krishnan, Chief Learning Officer Global, durante o TD SYNNEX Power UP Brasil 2026, que aconteceu nesta semana em São Paulo. 

  

Para Vidya, essa transformação começa pela preparação das pessoas. Ao abordar a relação entre skill set, tool set e mindset, a executiva destacou que a capacitação em IA precisa avançar junto com a Segurança Cibernética. “Não há como desenvolver fluência em IA sem ter, no mesmo nível, fluência em Cibersegurança. Hoje, risco e vulnerabilidade andam lado a lado, mesmo na aplicação mais simples de inteligência artificial”, afirmou. 

   

Dados de pesquisa da TD SYNNEX apresentados por Vidya mostram que 60% das empresas investem no desenvolvimento de habilidades da força de trabalho, enquanto 55% já destinam recursos a ferramentas. Para a executiva, porém, o principal desafio está na mudança de mentalidade. “A Segurança não pode mais ser tratada como uma etapa posterior do processo, mas incorporada desde a concepção das soluções. Você não deve construir nada sem considerar a proteção em todas as etapas e em todos os aspectos”, afirmou. 

 

Do risco central ao “agente contra agente” 

  

Questionada sobre a complexidade operacional e a sobreposição de ferramentas que pressionam as equipes de Segurança, Kristie defendeu uma mudança na gestão de riscos. Com vulnerabilidades surgindo em alta velocidade, proteger tudo da mesma forma deixou de ser viável. “Precisamos olhar para o que importa mais e o que é mais central. E é aí que será o nosso foco”, explicou. 

  

A mesma lógica se aplica ao uso da IA na defesa. Ao comentar o emprego de agentes em ataques cibernéticos, Kristie defendeu o uso desses modelos dentro das organizações para identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas. A proposta inclui um SOC agêntico, no qual agentes monitoram ameaças e liberam os profissionais para atividades mais estratégicas, como a caça a ameaças. A executiva, no entanto, fez uma ressalva: “Eu não posso fingir aqui que nós vamos resolver tudo, nós não vamos. E os agentes estão mudando todos os dias.” 

  

No encerramento, Kristie ampliou a discussão para o papel dos parceiros de tecnologia. Segundo ela, a SI não deve ser vista apenas como requisito de compliance, mas como elemento central para proteger ativos, marca e dados. “A IA mudou as regras do jogo na Segurança cibernética. Precisamos garantir, sempre, que não estamos fazendo isso apenas por conformidade”, afirmou. 

  

A principal mensagem veio em seguida: “Toda solução deveria trazer a Cibersegurança nativa, integrada, e não adicionada como um puxadinho depois.” Para a executiva, isso significa incorporar proteção, risco e princípios de Zero Trust desde a concepção da solução. “Não é sobre a tecnologia. Francamente, a tecnologia acaba sendo a parte fácil, o ponto é a solução completa”, concluiu. 

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Rui Borges

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