O Brasil registrou 487.415 ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 3,56% em relação ao semestre anterior, segundo o NETSCOUT DDoS Threat Intelligence Report 1H2026. O levantamento global, que contabilizou mais de 9,1 milhões de ataques em 209 países, revela o avanço de investidas massivas de 1 Tbps e o uso de proxies residenciais para burlar defesas tradicionais.
Com duração média de 59,31 minutos no Brasil, os ataques afetaram principalmente o setor de telecomunicações. Empresas de telecom sem fio lideraram as ocorrências com 141.400 incidentes, seguidas por provedores de infraestrutura de computação e hospedagem (50.499) e operadoras com fio (27.967). O estudo mapeou ainda impactos em bancos comerciais, logística, varejo e transporte, evidenciando a diversidade dos alvos no país.
Dentre os vetores mais utilizados no território nacional, destacam-se TCP ACK (138.626 ocorrências), DNS Amplification (61.575) e TCP SYN (37.481). Em escala global, os ataques superiores a 1 Tbps ou 1 Gpps dispararam 1.286%, enquanto o primeiro ataque IPv6 acima de 1 Tbps foi registrado, exigindo das empresas um aumento de mais de 300% na mitigação ativa para essa estrutura.
“O aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps significa que incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, declarou Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia, Soluções DDoS e Equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da NETSCOUT.
“Com a proliferação de proxies residenciais e ataques de curta duração baseados em taxa de tráfego provenientes de plataformas DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) sob demanda, os controles de rede genéricos e tradicionais tornaram-se insuficientes. Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”.
A pesquisa revela ainda que métodos de caminho direto (direct-path) representaram 64% dos ataques globais, enquanto disparos de curta duração (um minuto ou menos) quase dobraram desde 2023, impulsionados por serviços de DDoS por aluguel. A integração de proxies residenciais em botnets agrava o cenário, pois faz com que o tráfego malicioso parta de IPs de consumidores finais, dificultando a identificação e exigindo filtragem precisa nas bordas das redes.
Para enfrentar esse cenário, o levantamento conclui que a resiliência cibernética exige estratégias em camadas que combinem proteção local e capacidade em nuvem para absorver picos de tráfego. Proteger bordas de rede, inspecionar fluxos de entrada e saída e monitorar comportamentos em tempo real tornaram-se requisitos fundamentais para manter a disponibilidade de serviços críticos frente a ataques cada vez mais curtos, volumosos e distribuídos.