Pesquisa detecta primeiro malware para Android que usa IA generativa para evitar remoção

Batizado de PromptSpy, vírus utiliza o Gemini (Google) para interpretar a tela do celular em tempo real e receber instruções dinâmicas sobre como se manter ativo.

Compartilhar:

Pesquisadores de Cibersegurança identificaram o primeiro caso conhecido de malware para Android que integra inteligência artificial generativa em seu fluxo de execução. Batizada de PromptSpy, a ameaça utiliza o modelo de IA Gemini para interpretar elementos da interface do aparelho infectado. Com base nessa leitura, a IA envia instruções em linguagem natural para que o código execute ações específicas, garantindo que o malware permaneça “travado” e ativo no sistema. 

  

Essa abordagem marca uma evolução significativa. Diferente de vírus tradicionais que dependem de comandos fixos, o PromptSpy se adapta a qualquer dispositivo. “Estamos diante de um marco na evolução do malware móvel. É a primeira vez que vemos IA generativa sendo usada para interpretar a interface do dispositivo e tomar decisões dinâmicas durante a execução do ataque”, afirma Lukáš Štefanko, investigador da ESET. 

  

O objetivo principal do ataque, após garantir a persistência via IA, é instalar um módulo VNC para conceder aos criminosos controle remoto total do aparelho. O vírus abusa dos “Serviços de Acessibilidade” do Android para sobrepor elementos invisíveis aos botões de “desinstalar”, impedindo a exclusão manual. Segundo Štefanko, o uso da IA reduz a dependência de scripts fixos que normalmente falham quando há mudanças na interface ou atualizações do sistema. 

  

Investigações indicam que a ameaça já possui indícios de campanhas direcionadas na América Latina, simulando inclusive identidades visuais de instituições financeiras. Para os especialistas, o caso demonstra que a IA generativa começou a ser incorporada ao arsenal de cibercriminosos de forma prática. “O PromptSpy mostra como ferramentas de IA podem tornar o malware mais dinâmico e resiliente. Em vez de depender de coordenadas fixas, o código passa a ‘entender’ a tela e decidir o que fazer”, explica Štefanko. 

  

A recomendação para os usuários permanece rigorosa: evitar a instalação de aplicativos fora das lojas oficiais e revisar permissões concedidas, especialmente as relacionadas à Acessibilidade. O caso serve como um sinal claro de que a sofisticação dos ataques móveis atingiu um novo patamar de autonomia e inteligência. 

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Falha no ChatGPT permitia que atacantes acessassem dados corporativos no Gmail

Pesquisadores da Check Point Research descobrem canal oculto no ambiente da OpenAI que permitia extrair dados de serviços conectados como...
Security Report | Overview

Phantom Deal: golpe de M&A falso teve como alvo Avast e outras empresas da Fortune 500

Engenharia social sofisticada simulou aquisição confidencial de mais de 600 mil euros utilizando personificação de executivos e NDAs falsificados no...
Security Report | Overview

Estudo aponta setor de educação com a maior intensidade de ataques por dispositivo no mundo

Dados da SonicWall revelam 81,8 mil detecções de intrusão por terminal no primeiro semestre de 2026 e alerta para o...
Security Report | Overview

Ataques hacker exploram falhas críticas na Microsoft, VMware, Cisco e Citrix

Levantamento mensal da Redbelt Security mapeia a exploração ativa em consoles de administração corporativa, com ataques ocorrendo poucos dias após...