A Inteligência Artificial transformou-se em um motor de autonomia operacional oferecendo novas capacidades de valorização das empresas. Porém, ela ainda depende integralmente da forma como os seres humanos a operam para ter sucesso, e por isso, a formação de cultura de SI nunca foi tão necessária quanto na era da IA Agêntica.
Esse cenário foi o ponto focal dos diálogos durante o Painel de Debates sobre o futuro da Segurança cibernética realizado no evento Security Leaders Florianópolis. Na discussão, Líderes do setor reforçaram que o avanço tecnológico deve ser acompanhado por gestão eficiente desses ativos e comprometimento com as boas práticas de Segurança no desenvolvimento.
Na Natura, a diretriz corporativa de automatizar rotinas repetitivas impulsionou o uso de tecnologias de IA, mas também expôs o desafio de conter hábitos de risco entre os colaboradores. Alisson Fuckner, Gerente de Cibersegurança da Natura, destacou que o fator comportamental é um dos maiores pontos cegos na gestão de riscos digitais.
“Hoje temos um catálogo do que está homologado para a organização, mas, com isso, também surgem problemas de Shadow AI, que geram riscos a nossa infraestrutura. Apesar de termos ferramentas homologadas internamente, as pessoas utilizam as que estão acostumadas em contas pessoais. Eventualmente, pegamos no DLP pessoas tentando enviar dados sensíveis para estruturas não homologadas”, revelou Fuckner.
A Full Stack Sênior em Cibersegurança e Desenvolvimento de IA na Gloss Express, Isabela Martins, reforçou que a proteção de sistemas inteligentes deve começar na criação do código e passar por uma governança rígida de uso. Na visão dela, IA e Cibersegurança precisam andar juntas, tornando fundamental um controle rígido dos dados que alimentarão a ferramenta.
“Apesar da sofisticação dos controles tecnológicos, a conscientização contínua como a principal linha de defesa das organizações. O colaborador é o fator mais crítico para nós, mas também é o ponto mais vulnerável no dia a dia. A tecnologia é indispensável, mas o fator humano e a aculturamento contínuo continuarão sendo decisivos”, concluiu a executiva.
, Essa complexidade tende a aumentar quando a automação passa do ambiente virtual para sistemas com autonomia agêntica. Para Luis Gomes, CISO da SumUp, evitar que os agentes se tornem vetores de ataques demanda que as organizações considerem a ótica da gestão de identidades e acessos.
“Na SumUp, olhamos para a autonomia como uma autoridade e tratamos os agentes como identidades privileged. O agente tem três funções base: consome algo, automatiza ou cria. É dentro do espectro da autoridade que limitamos o agente, porque se tentarmos limitar em demasia, a rota natural é contornar os controles”, conclui.
O Painel de Debates “O futuro da Segurança cibernética na era da IA agêntica e física” foi apresentado no Security Leaders Florianópolis, o sexto evento regional de 2026. A partir de agosto, o maior e mais qualificado evento de Cibersegurança do país seguirá com a sua caravana por um périplo entre as capitais nordestinas de Recife, Salvador e Fortaleza, enquanto aquece os motores para o Security Leaders Nacional, nos dias 21 e 22 de outubro. Acompanhe as atualizações sobre os próximos eventos no portal do Security Leaders.