Copa do Mundo vira “cortina de fumaça” para ataques digitais

Com picos de tráfego e distrações durante os jogos, organizações de segurança alertam para o aumento de fraudes hiperpersonalizadas por IA e criam salas de guerra operacionais

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O megaevento global passou a exigir maior atenção com a Segurança digital devido a ações maliciosas que exploram momentos de distração e o grande volume de acessos. Em meio a transmissões online, apostas e Pix, empresas de diversos setores estão ampliando o monitoramento, revisando planos de resposta e reforçando suas operações para reduzir riscos durante o campeonato mundial. 

  

De acordo com a Delfia, eventos de grande audiência funcionam como uma “cortina de fumaça” para cibercriminosos. Enquanto as empresas focam em garantir a estabilidade e a performance de seus ambientes durante as partidas, os atacantes aproveitam o pico de tráfego e a pressão operacional para executar fraudes e golpes discretos. 

  

O CTO da Delfia, Leonardo Santos, explica que o ambiente fica mais barulhento por conta do excesso de acessos, alertas e consumo digital, permitindo que muitas ameaças operem abaixo do radar. Plataformas de apostas, aplicativos financeiros, streamings e transações via Pix devem registrar picos de acessos, ampliando significativamente a superfície de ataque corporativa. 

  

“Paralelamente, a inteligência artificial sofisticou as ameaças com promoções falsas, transmissões piratas, QR Codes fraudulentos e páginas clonadas. a  IA aumenta a velocidade e a automação dos ataques, gerando campanhas de phishing muito mais convincentes, páginas realistas e abordagens extremamente contextualizadas ao comportamento do usuário”, destaca Leonardo Santos. 

  

O fator emocional e a distração dos usuários e das equipes técnicas durante os jogos agravam o cenário. Segundo o executivo, o risco aumenta pela combinação de empolgação e urgência. No ambiente corporativo, focar a atenção em um lance decisivo ou um gol pode atrasar a análise de um alerta importante, e alguns minutos fazem a diferença para conter uma invasão. 

  

Para mitigar riscos, organizações de setores expostos têm estruturado war rooms (salas de guerra). Essas operações preventivas integram equipes de segurança, infraestrutura, fornecedores e parceiros estratégicos para centralizar a comunicação e reduzir drasticamente o tempo de reação diante de qualquer comportamento suspeito ou instabilidade. 

  

“As BETs devem sofrer enorme pressão durante os jogos em pagamentos e autenticação, enquanto empresas de transmissão lidam com risco reputacional imediato por indisponibilidade, e patrocinadores ficam expostos ao uso indevido de suas marcas como isca em golpes contra o consumidor”, detalha Leonardo Santos. 

  

Segundo a Delfia, um erro comum é focar apenas em conter ataques de indisponibilidade (DDoS), negligenciando ameaças silenciosas como roubo de credenciais ou exploração de vulnerabilidades. O CTO alerta que falhas de escopo, falta de visão ampla e a própria exaustão das equipes de tecnologia e segurança em plantões contínuos prejudicam a tomada de decisões eficazes. 

  

Apesar da maior conscientização do mercado, a vulnerabilidade se acentua durante a Copa. A recomendação da Delfia é antecipar a proteção por meio de múltiplas camadas, englobando firewalls, WAF, SOC e proteção de endpoints, além de ajustar limiares de detecção com base em ameaças observadas previamente em outros países e setores. 

  

O executivo conclui apontando que os grandes eventos não criam riscos do zero, mas ampliam as vulnerabilidades que já existem nos ambientes. Nesse contexto, a segurança digital eficiente não significa apenas bloquear ataques, mas garantir a continuidade operacional, a boa experiência do usuário, a reputação da marca e a capacidade de resposta rápida.

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