A tradicional janela de semanas para corrigir vulnerabilidades críticas está desaparecendo. De acordo com o Threat Hunting Report 2026 da CrowdStrike, grupos cibercriminosos já conseguem converter vulnerabilidades recém-divulgadas em exploits operacionais em menos de 24 horas, movimento impulsionado pelo uso intensivo de Inteligência Artificial nas operações ofensivas.
“Durante muitos anos, o mercado trabalhou considerando um ciclo de 30 dias para a aplicação de patches. Isso acabou. Se um exploit é operacionalizado em menos de 24 horas, a defesa não pode aguardar um mês para agir”, destacou Adam Myers, Diretor de Operações de Combate a Adversários da CrowdStrike.
A agilidade com que os atores de ameaça usam IA para pesquisar, adaptar e explorar novas falhas está forçando uma revisão profunda nas estratégias de gestão de riscos e resposta a incidentes. Segundo Myers, a automação dos processos de remediação tornou-se mandatória, já que é inviável acompanhar a velocidade dos atacantes utilizando modelos operacionais tradicionais.
Da automação ofensiva aos ataques focados em identidade
Além de acelerar a exploração de falhas, a Inteligência Artificial deixou de ser apenas um recurso de produtividade ou uma arma nas mãos de criminosos, para se transformar em uma nova e expansiva superfície de ataque. Pela primeira vez, a CrowdStrike registrou um volume de atividades iniciadas por agentes de IA 2,5 vezes maior do que o gerado por usuários humanos nos ambientes monitorados.
“As mesmas ferramentas de IA que impulsionam a inovação nos negócios estão criando superfícies de ataque subprotegidas, que já estão no alvo dos adversários. A IA não é apenas a ferramenta do ataque, ela é a nova fronteira a ser defendida”, pontuou Myers.
Paralelamente ao avanço da IA, o relatório aponta uma escalada expressiva nos ataques focados em identidade, com destaque para campanhas de voice phishing (vishing). Nelas, criminosos recorrem à engenharia social por telefone, frequentemente apoiada por ferramentas de clonagem de voz por deepfake, para induzir colaboradores ou equipes de service desk a entregarem credenciais de acesso.
“Os atacantes perceberam que não precisam gastar energia tentando invadir o ambiente, eles só precisam fazer login”, resumiu o executivo, ressaltando que burlar o fator humano tornou-se mais eficiente do que tentar ultrapassar as barreiras de proteção do e-mail corporativo.
O cenário global reflete essa sofisticação crescente: desde a publicação do último Global Threat Report, a CrowdStrike adicionou 11 novos grupos de ameaça ao seu monitoramento, abrangendo tanto atores de e-crime quanto grupos patrocinados por Estados-Nação.
Para Myers, proteger esse novo ecossistema exige que a defesa acelere na mesma proporção das ameaças, priorizando a capacidade de resposta automatizada e a blindagem das identidades. “Compreender quem são os adversários, como operam e o que buscam continua sendo o pilar fundamental. Contudo, diante da velocidade vertiginosa dessas ameaças, a capacidade de reação precisa evoluir no mesmo ritmo”, conclui.