ANPD: Adequação entre LGPD e GDPR destrava comércio digital e exige Segurança madura

Decisão facilita circulação de dados entre Brasil e UE, abre novas oportunidades para negócios e reforça a necessidade de interoperabilidade e proteção cibernética

Compartilhar:

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), autoridades públicas e representantes do setor privado reforçaram, durante webinário realizado nesta quarta-feira (28), que a decisão de adequação mútua entre a LGPD e o GDPR abre um novo espaço de circulação segura de dados entre Brasil e União Europeia, em um momento de maior aproximação econômica entre os dois blocos. A Autoridade promoveu o evento em celebração ao Dia Internacional da Proteção de Dados.

 

Para a mesa diretora da ANPD, a medida inaugura uma fase de novas oportunidades para empresas brasileiras e europeias, além de marcar uma etapa importante da evolução institucional da própria agência.

 

“O Brasil reconhece que o ambiente europeu é um ambiente seguro para os dados do brasileiro, e a União Europeia agora reconhece o mesmo sobre o nosso país”, afirmou o diretor-presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves. Segundo ele, a decisão deve ter “forte repercussão no comércio digital, reduzindo custo regulatório e ampliando as possibilidades de troca de informações”, e tende a aprofundar a colaboração bilateral.

 

A Secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniela Matos, reforçou o impacto econômico da medida. Segundo ela, estudos internacionais indicam aumento potencial de 7% a 9% no comércio digital bilateral após decisões de adequação semelhantes, além do fato de que tanto Brasil quanto UE dependem intensamente de meios digitais para viabilizar suas exportações.

 

Do lado europeu, a líder de Fluxo de Dados da Comissão Europeia, Anna Schilmöller, lembrou que a proteção de dados deve ultrapassar fronteiras e que a equivalência entre GDPR e LGPD é essencial para garantir segurança aos usuários.

Segundo ela, com a adequação, “empresas e autoridades não precisarão de cláusulas contratuais ou autorizações adicionais para movimentar dados”. A executiva ressaltou que, na prática, o Brasil passa a ser tratado “como um membro da UE em termos de fluxo informacional, permitindo que dados circulem com a mesma fluidez de Paris a Berlim ou Roma”.

 

Representando o setor privado, o presidente do Conselho de Economia Digital e Inovação da FecomercioSP, Andriei Gutierrez, destacou que a decisão abre um conjunto relevante de oportunidades, mas exige atenção redobrada à interoperabilidade regulatória, Cibersegurança e resiliência digital.

 

“Essa é uma oportunidade considerável para o setor privado brasileiro trabalhar em espaços agora acessíveis no mercado europeu”, afirmou. Ele citou setores como fintechs, healthtechs, govtechs e empresas de software, impulsionadas também pela maturidade crescente do Gov.br.

 

Gutierrez alertou, porém, que a adequação é apenas o começo: “Vale reforçar que esse é um ponto de saída, que nos direciona a fazer nosso dever de casa para aumentar a maturidade cibernética e garantir proteção dos dados.”

 

Entre os desafios citados por ele estão a necessidade de empresas brasileiras compreenderem e se adaptarem a regulações de segurança da União Europeia. “Isso inclui legislações como o NIS2, o DORA e o próprio AI Act. Cada uma delas terá importância central para quem quiser competir no mercado europeu”, conclui ele.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Segurança empoderada e by design é essencial na gestão de risco da IA, apontam agências de Cyber

Gestoras de Segurança Cibernética dos países membros da Five Eyes Alliance emitiram uma nota conjunta para alertar sobre os riscos...
Security Report | Destaques

42% das empresas no Brasil já sofreram incidentes relacionados à IA

Estudo global da Proofpoint aponta ainda que esse número chega à 40% mesmo em empresas que contam com controles rígidos...
Security Report | Destaques

Capal expande visibilidade e Segurança sobre parque tecnológico agroindustrial

Com vistas a aumentar a maturidade cibernética e capacidade de resposta a incidentes, diante de uma ampla estratégia de inovação...
Security Report | Destaques

Qual a responsabilidade da própria organização no risco dos terceiros?

Durante debate sobre o tema no Security Leaders Florianópolis, líderes de SI da indústria, e-commerce e mercado financeiro ressaltaram que...