O Ministro das Comunicações do Brasil, Frederico de Siqueira Filho, defendeu a posição central da Segurança da Informação para a estratégia do país em se transformar em polo fundamental para desenvolvimento de Inteligência Artificial e de armazenamento de dados em Data-centers. Essa posição foi apresentada pela liderança da pasta em Painel de Debates sobre o tema no Fortinet Cybersecurity Summit 2026, ocorrido hoje (11), em São Paulo.
Conforme explica Siqueira Filho, o projeto do atual governo envolve expandir a conectividade de comunicações digitais e uso de tecnologias emergentes de fronteira. Para isso, o país deve avançar na construção de uma infraestrutura sólida e capaz de sustentar uma base constante de movimentação de dados através das regiões, e a Cibersegurança terá papel fundamental nesses processos.
“Nós defendemos que o Brasil poderá ser um grande hub para data-centers e Inteligência Artificial no futuro, mas não podemos falar de infraestrutura digital sem Cibersegurança. Com isso, a ideia é que aumentemos a integração entre estados e municípios e ampliar a conformidade regulatória, a proteção jurídica e manter controle sobre a proteção ambiental, sempre mantendo como prioridade a soberania dos dados dos brasileiros”, disse ele.
O ministro também reforçou como esse papel estará bastante centrado na descentralização das estruturas focadas no eixo Rio-São Paulo. Nesse contexto, a região Norte ganha particular atenção, dado o seu potencial de transformação a partir de desenvolvimentos com a Margem Equatorial do Petróleo no Amapá e a exploração de terras raras em Roraima. Para o ministro, essas estruturas vão dar suporte ao Brasil em termos de infraestrutura informacional.
“Cada vez mais o Brasil se torna mais atrativo e atrai novos olhares para o que podemos oferecer ao mundo, com instituições como o Banco Mundial, o BRICS e outros atentos ao que podemos fazer. Portanto, o papel que o setor de Cibersegurança pode cumprir nesse contexto é apoiar a resiliência e minimização dos riscos e das vulnerabilidades que sempre estarão presentes e precisarão ser protegidas com essa expertise”, acrescenta Siqueira Filho.
O Country Manager da Fortinet no Brasil, Frederico Tostes, convergiu com a fala do Ministro das Comunicações, reforçando que esse plano estratégico deve contar também com a democratização das tecnologias de ponta e do conhecimento sobre Cibersegurança no Brasil. Isso porque, em um cenário de avanço exponencial da infraestrutura de dados no país, contar com uma força de trabalho especializada nesses temas será fundamental.
Tostes também reforçou a importância da preservação de informações pessoais dos cidadãos brasileiros em solo nacional, com vistas a garantir maior solidez na soberania digital do país e menor dependência em infraestruturas estrangeiras nesse tratamento. Esse processo poderá ainda abrir espaço para a transformações das próprias sociedades em conjuntos mais digitalizados, em contexto de cidades inteligentes e interconectadas.
“No ano passado, o Brasil foi alvo de 80% dos ataques cibernéticos ocorridos na América Latina. Isso mostra que o país é uma referência no meio digital da região, e por isso, se torna uma vítima mais interessante dos ciberatacantes. Por isso, transformação digital sem resiliência não é sustentável, ela precisa de uma ação conjunta de todos os atores sociais, incluindo a iniciativa privada, com vistas a construir esse ambiente inovador e seguro”, conclui Tostes.