A Inteligência Artificial está deixando de ser uma tecnologia restrita à TI e se transformando em uma ferramenta de criação e automação dentro de toda a empresa. Para Roberto Arteiro, mentor e founder da ITXPRO, essa mudança também redefine o papel do profissional de GRC TI e coloca os CISOs diante da necessidade de ampliar suas competências para continuar relevantes em um ambiente em que cada área do negócio pode se tornar uma “fábrica de software”.
“Todo gestor dentro da sua empresa virou uma fábrica de software. O executivo de RH, do financeiro, etc. A pergunta é: e o time de GRC? Continua o mesmo?”, provocou Arteiro na palestra de encerramento do Security Leaders, que aconteceu ontem (12) em Recife. Com o avanço de recursos como o Spec-Driven Development (SDD) e plugins de IA, executivos de áreas como RH, financeiro e logística passaram a codificar e implantar aplicações por conta própria, muitas vezes sem o conhecimento das equipes tradicionais de cibersegurança.
Essa descentralização acelerou a expansão da Shadow AI. Pesquisas apresentadas pelo especialista indicam que uma análise da Netskope identificou mais de 1.600 novas aplicações de IA no ambiente corporativo monitorado. Além disso, levantamentos apontam um aumento de 267% nos pedidos de reembolso corporativo para ferramentas SaaS, com destaque para ChatGPT e Anthropic, enquanto uma pesquisa da IBM citada no painel aponta que 43% dos incidentes envolvem Shadow AI.
“A IA é o novo Excel, só que com um potencial absurdo de proliferação. É a primeira vez que a tecnologia está entrando na empresa, com forte pressão para a inovação e isso passa direto pelas áreas de negócio, sem que a TI participe dos processos”, resumiu Arteiro.
Dos guardrails adaptativos à nova escala do High Impact Contributor
Diante desse cenário, tentar controlar os riscos apenas contratando mais pessoas ou comprando ferramentas isoladas tornou-se insuficiente. Arteiro defendeu que a resposta das organizações deve passar por modelos de governança adaptativa, fundamentados em limites claros de Segurança e em uma sólida arquitetura de dados governada.
“Governança cada vez mais é guardrail e não trilho de trem, é uma rodovia larga que tem barreiras de proteção, e você tem que deixar o colaborador navegar. Governar é diferente de bloquear”, destacou o palestrante, orientando que as empresas devem estabelecer limites claros em vez de paralisar as iniciativas de inovação dos usuários.
É justamente nessa lacuna que surge a figura do High Impact Contributor (HIC), um perfil profissional capaz de utilizar agentes, automações, estruturas baseadas em RAG e skills bem definidas para multiplicar sua capacidade operacional. Em vez de vender apenas horas de trabalho, esse novo profissional entrega uma capacidade instalada equivalente à de um time inteiro. “Essa pessoa comanda, coordena e constrói uma arquitetura robusta de IA que faz o trabalho dele ser escalado para o equivalente a um time inteiro. Essa é a única saída para nós profissionais de GRC TI”, afirmou Arteiro.
A mudança atinge diretamente a cadeira do CISO, que vem herdando as demandas de GRC dentro das empresas, mas precisa rapidamente desenvolver competências que vão além do viés técnico tradicional. A evolução exige do líder de cibersegurança o domínio de gestão de riscos, continuidade de negócios, governança de dados e arquitetura de IA.
Em seu recado final aos executivos do Security Leaders Recife, Arteiro enfatizou a urgência de acelerar essa transição de carreira para garantir a relevância da liderança na era pós-IA: “O Head de TI vai precisar de um par em GRC TI. Ou o líder de Cibersegurança vira essa pessoa, ou ele vai ser substituído por esse executivo”, concluiu.