Cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpes digitais em 2025, somando cerca de 34 bilhões de investidas fraudulentas entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Os dados do relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, divulgado hoje pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) durante o Brazil Anti-Scam Forum, em São Paulo, indicam que 34% das vítimas perderam dinheiro mais de uma vez no período, evidenciando uma preocupante vulnerabilidade contínua.
A quarta edição da pesquisa integra um levantamento global em mais de 40 países e ouviu mais de mil pessoas no Brasil sobre contato, interações, custos e prevenção. O estudo mostra que 81% dos adultos no país encararam tentativas de golpe, patamar idêntico ao de 2025, enquanto 39% chegaram a interagir com os criminosos. Deste grupo que interagiu, uma em cada quatro pessoas sofreu prejuízos financeiros ou teve seus dados expostos.
A velocidade das fraudes impressiona: 42% das vítimas tiveram valores subtraídos em questão de minutos ou horas. “Os golpes digitais passaram a fazer parte da rotina. O fato de 1/3 das pessoas terem perdido dinheiro mais de uma vez em um intervalo de 12 meses é especialmente preocupante, porque destaca um ciclo de vulnerabilidade encorajado pelos criminosos”, afirma Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA.
A fala da diretora ainda reforça a necessidade de prevenção, educação e resposta rápida, com atuação coordenada entre empresas, plataformas, instituições financeiras, autoridades e sociedade civil. Todas em constante troca de experiências para aperfeiçoar os sistemas de defesa contra o crime digital.
As abordagens mais frequentes envolvem compras online (22%), promessas de dinheiro inesperado (17%) e falsas vagas de emprego (17%). Telefones e aplicativos de mensagem respondem por 71% das abordagens, com liderança do WhatsApp (64%), seguido por Gmail (32%), Instagram (22%) e a estreia do YouTube (6%) na lista. Paralelamente, 41% dos entrevistados não se sentem confiantes para identificar fraudes e 40% só perceberam a vítima após alertas de terceiros ou instituições, ante 34% no levantamento anterior.
Os bancos seguem como as instituições melhor avaliadas na prevenção e resposta a fraudes, seguidos pela polícia e por provedores de hospedagem, enquanto as operadoras de telecomunicações figuram como as menos eficazes. Na visão do setor bancário, estimam-se investimentos anuais de R$ 5 bilhões em segurança, mas a recuperação de valores ainda é baixa: apenas 20% das vítimas que denunciaram conseguiram reembolso total ou parcial dos prejuízos.
No âmbito regional, metade das vítimas na América Latina não denunciou os crimes por desconhecer os canais, considerar o processo inútil (36%) ou complexo (28%), além de vergonha. No Brasil, 19% não registraram queixa, ignorando que a denúncia é essencial para derrubar perfis falsos e mapear criminosos. Além disso, o impacto emocional avançou, com 76% das vítimas relatando alterações moderadas ou significativas em seu bem-estar mental, superando os 59% registrados no relatório anterior.
“O crime digital pode trazer consequências como ansiedade e desconfiança constante. O dado reforça que os golpes digitais não representam apenas uma ameaça económica, mas um problema de segurança e saúde emocional para milhões de brasileiros. Trata-se de um fator que deve ser levado em consideração na hora de proteger as pessoas contra seus efeitos”, lembra Renata.
No total, 16,5 milhões de brasileiros perderam R$ 21,2 bilhões para golpes no período, com prejuízo médio de R$ 1.287 por pessoa, valor recalculado em 2026 após rigorosa validação metodológica