IA protagoniza avanço do Cibercrime no Brasil, alerta estudo de ameaças

O setor de pesquisa de ameaças da Fortinet divulgou os resultados da telemetria movida pela vendor durante os primeiros seis meses de 2026, que indicaram uma redução no número bruto de ataques, mas um aumento no direcionamento e na efetividade dos impactos a partir do empoderamento gerado pela Inteligência Artificial. Os executivos da companhia defenderam a radicalização do uso dessa ferramenta na Cibersegurança para equilibrar o jogo

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Dados coletados pelos processos de telemetria do FortiGuard Lab, o laboratório de monitoramento de ameaças da Fortinet, consolidam uma tendência cada vez mais latente no mercado: de que a Inteligência Artificial se tornou peça crítica para a efetividade dos ataques cibernéticos no Brasil, e que é preciso reforçar as capacidades de uso dessa ferramenta pela Segurança como forma de recolocar o setor em pé de igualdade aos adversários.

 

De acordo com os executivos da vendor, nos primeiros seis meses de 2026, foram identificadas cerca de 250 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em todos os setores da economia nacional. Embora esse número represente uma queda de 20% ao que foi registrado no mesmo período do ano anterior, essa mudança reforça uma alteração na forma de automatizar os ataques, migrando da quantidade para a qualidade das operações.

 

“No ano passado, automatizar significava ampliar enormemente a quantidade de ataques disparados até que uma vítima fosse atingida. Porém, neste momento, a automatização tornou os ataques mais eficientes, ampliando a precisão do que e como o cibercriminoso ataca. Isso faz com que os impactos nas empresas cresçam de forma inversa à quantidade de ataques”, explica o Vice-Presidente de Engenharia da Fortinet Brasil, Alexandre Bonatti, em entrevista coletiva com a imprensa durante o Fortinet Cybersecurity Summit 2026.

 

Essa disseminação da Inteligência Artificial na efetividade dos ataques reverbera em cada uma das etapas corriqueiramente utilizadas em incidentes de Segurança à organizações grandes ou pequenas. Um exemplo são os estágios iniciais de reconhecimento em busca de vulnerabilidades exploráveis: em 2026, já foram contabilizados 9 bilhões de escaneamentos das estruturas digitais do país, que ofereceram conhecimento suficiente para ações posteriores.

 

Além disso, os métodos de inserção também se diversificaram. Nesse período, ocorreram 976 mil tentativas de “drive by download” e 1 milhão de documentos office maliciosos foram disparados. Já durante a exploração desses espaços acessados, viu-se a atividade de 42 milhões de botnets operados de forma maliciosa pelo cibercrime. Bonatti reforça que esse movimento parte também de uma mudança na movimentação dos ataques.

 

“Sempre foi muito comum vermos humanos no lado do cibercrime atacando as estruturas de outros humanos. Porém, a massificação dos ataques fez com que os scripts fossem os caminhos usados nesses ataques, mas ainda com o indivíduo operando as cordas nos bastidores, e agora, é a interpretação de dados movida pela própria IA que define o melhor cenário do ataque, o alvo mais interessante, e qual o método a ser utilizado”, acrescenta.

 

Papel da IA na Cyber

Ainda para a Fortinet, o uso da IA pelo crime cibernético demonstra potencial para desequilibrar a capacidade da Cibersegurança de responder às ameaças, agora mais efetivas e capazes de gerar impactos à geração de valor das empresas. Assim, a estratégia apontada pela representante da indústria é de reduzir o tempo de descoberta de um risco e tornar a resposta igualmente automatizada.

 

“Nosso trabalho envolve reagir com Inteligência Artificial, tanto na identificação e detecção quanto na ampla visibilidade sobre todas as estruturas internas da companhia, incluindo as ferramentas de IA usadas pelo negócio. Essa estratégia passa por integrar as capacidades de proteção existentes e fornecer a inteligência mais acurada possível para o cliente, par assim sermos capazes de lidar com qualquer sazonalidade desses ciberataques”, comentou Frederico Tostes, country manager da Fortinet Brasil.

 

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