Tentativas de ciberataques no Brasil dobram em 2025

Nova ediçãodo Cenário Global de Ameaças da Fortinet indicou que as tentativas de ações maliciosas no país saltaram de 356 bilhões para 735,8 bilhões no último ano, com distribuição de malware e atividades de botnets se destacando nesse contexto. De acordo com executivos da companhia, a capacidade de escala oferecida pela Inteligência Artificial foi determinante para esse crescimento

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A Fortinet divulgou hoje (29), em encontro com jornalistas, a edição mais recente do Cenário Global de Ameaças, que registrou 735,8 bilhões de tentativas diversas de ataques cibernéticos no Brasil. Esse dado, relativo à telemetria movida pela empresa no país durante 2025, representa mais que o dobro do valor que foi registrado em 2024: à época, atingiu-se 356 bilhões de tentativas durante os 12 meses.

 

Ainda segundo o estudo, dentro desse valor, 187,5 milhões foram atividades de distribuição de malwares com vistas a danificar os ambientes digitais e ou obter acesso não autorizado a setores críticos das organizações. Essa modalidade de ocorrência registrou um crescimento de 535%, um aumento de quase 6 vezes o valor de 2024. Ações relacionadas a botnets, capazes de controlar remotamente dispositivos sensíveis, foram 89 milhões.

 

Conforme explicam executivos locais da Fortinet, a escalabilidade oferecida pela Inteligência Artificial foi fator determinante para que esse aumento se concretizasse. Para Frederico Tostes, Country Manager Brasil da companhia, o uso cada vez mais amplo da tecnologia nos meios de ataque levou à uma mudança no perfil dos incidentes, migrando de um foco mais direcionado e eficiente para operações de alto volume, incluindo campanhas de phishing e DDoS.

 

“Se existe uma certeza para os próximos anos, é que o crime cibernético vai operar cada vez mais como uma indústria organizada, incorporando automação, especialização e inteligência artificial. E nosso relatório do cenário de ameaças de 2026 reforça que empresas precisam encarar a cibersegurança como um fator direto de risco financeiro, reputação e continuidade do negócio e de entrega para a sociedade”, acrescentou Tostes.

 

Já Alexandre Bonatti, Vice-Presidente de Engenharia da Fortinet, reforçou que a aplicação da IA nas atividades do cibercrime, em especial os agentes de Inteligência Artificial, permitiu reduzir a demanda por conhecimento técnico em favor dos crimes cibernéticos como serviço: hoje, é possível se utilizar esse mercado para encomendar exposições de senhas, comprometimento de credenciais ou exploração de vulnerabilidades sem precisar ter conhecimento para isso.

 

Ainda segundo Bonatti, se antes essas atividades eram feitas por pessoas, hoje elas são feitas por agentes de IA. Isso permite ao cibercrime ganhar escala e pressiona a Segurança a também ampliar suas capacidades de defesa com a IA agêntica. Portanto, em 2026, a tendência é se consolidar uma guerra entre agentes, com ambos os lados utilizando o mesmo conceito para acelerar suas operações.

 

“No caso da disseminação de malwares, por exemplo, temos uma tecnologia extremamente eficiente na geração de códigos – algo essencial para um malware – e que, ao mesmo tempo, tem enorme capacidade de pulverizar esse código malicioso e, quando necessário, adaptar aquele código ao melhor contexto. Assim, a IA agêntica pode atingir uma eficiência que as pessoas, sozinhas, não conseguem”, reforça o VP de Engenharia.

 

Ransomware consolidado

Os líderes da Fortinet Brasil ainda debateram o papel do ransomware entre as ameaças ativas no ciberespaço atual e, para eles, essa atividade segue consolidada dentro da realidade brasileira e global como uma ameaça para as organizações. O que mudou, segundo eles, foi a efetividade do ataque, pois, utilizando recursos de Inteligência Artificial, é possível forçar essa invasão com maior possibilidade de sucesso.

 

“Vemos hoje que o phishing segue como o maior vetor para ataques de ransomware. Embora essa realidade não seja nova, hoje está muito mais desafiador detectar e denunciar uma tentativa de enganar o usuário a partir de engenharia social alimentada pela IA. Isso torna os processos de conscientização e treinamento ainda mais difíceis e com resultados mais incertos”, explica Bonatti.

 

Nesse sentido, o caminho é unificar o trabalho de conscientização com tecnologia. “É preciso que empresas adotem soluções de cibersegurança que também estão baseadas em inteligência artificial, uma vez que o sucesso da proteção será determinado pela eficiência e a rapidez com que a inteligência pode ser traduzida em ação”, conclui.

 

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