A soberania digital tornou-se prioridade na agenda corporativa global, com a computação em nuvem estabelecida como base da infraestrutura, empresas revisam onde seus dados são armazenados e quem detém o controle sobre esses ativos. Projeções do Gartner indicam que mais de 50% das multinacionais terão estratégias voltadas ao tema até 2029, enquanto os investimentos em nuvem soberana devem ultrapassar US$ 80 bilhões já em 2026.
“A soberania digital busca capacitar organizações e nações com a autonomia necessária para tomar decisões informadas e independentes que moldem seu futuro digital. Negligenciá-la pode expor as empresas a riscos significativos, principalmente relacionados ao aumento da dependência, vulnerabilidades legais e comprometimento da segurança”, alerta Thiago Araki, diretor sênior de tecnologia para a América Latina na Red Hat. O conceito abrange desde o domínio sobre a coleta e processamento de informações até a capacidade de executar cargas de trabalho sem dependência excessiva de um único fornecedor.
O tema divide-se em quatro dimensões: soberania de dados, tecnológica, operacional e de confiabilidade. Enquanto as duas primeiras focam na governança de modelos de IA e na redução de riscos de interferência externa, as demais garantem visibilidade sobre o funcionamento dos serviços e a integridade dos sistemas. “Não há soberania digital sem controle de ponta a ponta. É preciso garantir que organizações e países mantenham o controle sobre suas decisões, infraestrutura e propriedade intelectual em um ambiente global cada vez mais complexo”, reforça Sandra Vaz, Country Manager da Red Hat Brasil.
A América Latina acompanha esse movimento com investimentos previstos de US$ 506 milhões em nuvem soberana para 2026, valor que deve saltar para US$ 946 milhões em 2027. Iniciativas de expansão de data centers e modelos abertos locais buscam alinhar regulamentações aos valores regionais e orientar investimentos para o controle de dados de cidadãos e empresas. Esse avanço fomenta a cooperação regional e a formação de profissionais qualificados para atuar em conformidade com as novas exigências do setor público e privado.
Setores como finanças, saúde e governo são os mais impactados, exigindo arquiteturas distribuídas e híbridas para conciliar escala global com requisitos locais de compliance. Nesse cenário, o open source ganha protagonismo ao oferecer a transparência necessária para auditorias e segurança robusta. A Red Hat, líder em soluções abertas, defende uma abordagem ancorada na flexibilidade e resiliência, utilizando o software livre como base de confiança para proteger infraestruturas críticas e preparar organizações para os novos níveis de governança exigidos pela inteligência artificial.