O avanço das plataformas de Inteligência Artificial tornou-se a principal preocupação de Cibersegurança para empresas brasileiras, influenciando diretamente as decisões de investimento. Segundo estudo encomendado pela Dell Technologies, 48% das organizações no país apontam a evolução das ameaças, especialmente ataques habilitados por IA e riscos na cadeia de suprimentos, como o maior motivador para novos aportes em Segurança.
O levantamento ouviu 850 líderes globais, incluindo 50 grandes empresas no Brasil. À medida que a IA é percebida como um risco estratégico, as organizações respondem com maior automação. No Brasil, 46% das empresas possuem alto nível de automação em respostas a incidentes, enquanto 50% a utilizam de forma moderada para ameaças recorrentes como phishing e malware.
No entanto, o uso de IA para detecção avançada em backups, o último recurso contra ransomware, ainda está em consolidação: 54% das empresas escaneiam backups com IA, mas 12% ainda dependem de métodos tradicionais ou estão apenas em fase de planejamento.
Para Caroline Maneta, líder de Plataforma de Segurança da Dell Technologies no Brasil, esse contraste revela um ponto crítico na proteção de dados. “Quando observamos que 36% das organizações brasileiras reconhecem fragilidades na proteção de seus backups, fica claro que ainda existe um desafio relevante na jornada de resiliência cibernética.
Os ataques modernos não se limitam à indisponibilidade de sistemas, mas miram diretamente os dados, que são o ativo mais valioso das empresas. Sem uma estratégia robusta de proteção e validação contínua dos backups, o risco deixa de ser apenas o ataque em si e passa a ser a incapacidade de recuperação após o incidente”, explica Caroline.
A IA também é vista como oportunidade, com 84% das empresas planejando priorizar investimentos em detecção impulsionada por machine learning nos próximos 12 meses. Esse movimento acompanha a modernização da proteção de dados, citada por 72% dos respondentes, outras iniciativas incluem a expansão de plataformas MDR/XDR e o ajuste à resiliência regulatória.
“A inteligência artificial não deve ser vista apenas como um fator de risco, mas como uma alavanca estratégica para fortalecer a resiliência cibernética”, destaca Caroline Maneta, reforçando que a segurança deve caminhar ao lado da inovação tecnológica.
A pesquisa introduz o conceito de “dívida de resiliência”, onde empresas acumulam uma falsa sensação de preparo ao focar em prevenção e negligenciar a recuperação. No Brasil, 68% dos respondentes admitem que seus testes de Segurança não simulam de forma realista as técnicas modernas de ataque.
Além disso, 48% afirmam que a alta gestão superestima a prontidão da companhia para grandes incidentes, o que destaca a necessidade urgente de alinhar os investimentos tecnológicos com avaliações objetivas da capacidade real de resposta.
Apesar do excesso de confiança, a ciberresiliência já é pauta frequente nas diretorias: 74% das empresas brasileiras discutem métricas do setor semanal ou mensalmente. Para 90% dos líderes, o planejamento de resiliência é uma prioridade crítica para os negócios.
“Esses dados mostram que, mesmo em um cenário de ameaças complexas, as empresas brasileiras estão incorporando a ciberresiliência à agenda estratégica, com monitoramento frequente e reconhecimento da importância de proteger dados, sistemas e operações essenciais”, pontua a executiva da Dell.