Para o líder de Cibersegurança, o excesso de informação pode ser tão desafiador quanto a falta dela. Buscando transformar esse excesso de alertas em direcionamento estratégico, foi desenvolvido o minutodash, um hub gratuito de Inteligência de Ameaças (CTI). Idealizado por Julio Signorini, Gerente Executivo de autarquia federal brasileira, a ferramenta conecta mais de 45 APIs de repositórios oficiais e globais, incluindo órgãos como CISA, CERT.br, MITRE ATT&CK e a base Have I Been Pwned, unificando gestão e análise de riscos sem custos para os usuários.
A solução ganhou forte adesão orgânica entre os especialistas e já ultrapassou a marca de 1.500 usuários ativos e 2 mil profissionais cadastrados. “Diferentemente de outras áreas da tecnologia, a Cibersegurança sempre teve um espírito de colaboração muito forte. Trata-se de uma construção coletiva, desenvolvida por quem vivencia os desafios da área no dia a dia. Se a informação é pública, nada mais justo do que compartilhá-la e ampliar o acesso a ela”, afirma Julio Signorini em entrevista para a Security Report.
Conexão entre dados de ameaças e apoio à decisão
A proposta do projeto surgiu a partir da percepção de que a busca por informações dispersas em múltiplos painéis consumia tempo valioso de resposta. Como resposta a esse gargalo, o sistema estrutura seus dados em cerca de 50 visualizações dinâmicas, correlacionando as métricas coletadas com os principais frameworks do setor, a exemplo de NIST, CIS Controls, MITRE e recomendações do Gartner. Essa inteligência gera pontuações de risco customizadas, divididas entre índices globais, panoramas nacionais e um mapa específico focado no ambiente brasileiro.
Além de incorporar a verificação de vulnerabilidades, o acompanhamento de exposição na web e a medição do nível de maturidade das equipes, um dos principais focos da iniciativa está em reduzir a distância entre o dado técnico e a tomada de decisão executiva.
“Cruzamos informações para transformá-las em indicadores que realmente façam parte do dia a dia do CISO. A proposta é permitir que, a partir do compartilhamento desses dados, as equipes identifiquem os riscos e acompanhem a mitigação com mais clareza”, explica Signorini.
Fomento à cultura colaborativa e flexibilidade de uso
A arquitetura da ferramenta foi desenhada para se adaptar a diferentes fluxos de trabalho. Os profissionais podem interagir com a plataforma via navegadores, por aplicativo Android ou via PWA, além de terem a opção de personalizar dashboards com widgets próprios, agendar resumos por e-mail, configurar alertas em tempo real e consumir feeds diretamente via API para integração com sistemas legados.
O projeto busca endereçar um desafio comum no mercado nacional: a falta de orçamento em muitas organizações para manter estruturas complexas de inteligência de ameaças. Ao reunir dados públicos de forma estruturada e acessível, a iniciativa visa apoiar o amadurecimento da segurança da informação em empresas de diferentes portes.
“Outro ponto importante é a capilaridade, alcançando profissionais em diferentes momentos de carreira, do CISO ao analista”, destaca Signorini. “A ideia é que a iniciativa continue contribuindo como um recurso aberto para a evolução da Cibersegurança e para o fortalecimento do ecossistema no Brasil”, conclui.