Julio Signorini assume liderança na modernização cibernética da ANTT

Executivo com trajetória no setor público e articulista da Security Report assume a área de tecnologia da agência responsável por rodovias e ferrovias federais. Ele destaca o desafio de elevar a maturidade cibernética de um dos maiores ecossistemas de dados do governo

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Após passagem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Julio Signorini assume o cargo de Gerente Executivo (CTO) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por liderar a estratégia tecnológica e apoiar a evolução da Segurança Digital em uma das infraestruturas mais críticas do país, um setor que, segundo ele, concentra sistemas e dados essenciais para a logística nacional. 

 

A mudança marca um novo capítulo na carreira do executivo, que construiu sua trajetória no setor público e agora passa a atuar diretamente na modernização de sistemas que monitoram transporte de cargas, passageiros e concessões rodoviárias e ferroviárias em todo o Brasil. A possibilidade de atuar diretamente em uma infraestrutura considerada estratégica para o país foi um dos fatores que motivaram a ida de Signorini para a ANTT.  

 

“São sistemas que operam continuamente e que têm impacto direto na logística do país. É um ambiente tecnológico de mais de uma centena de aplicações, responsáveis por compartilhar dados de transporte de passageiros, cargas e concessões rodoviárias e ferroviárias pelo Brasil, e por isso, lidamos com diversos sistemas legados ainda fundamentais para a operação”, afirma Signorini, em entrevista para a Security Report. 

 

Segundo o CTO, um dos principais desafios da nova função é equilibrar o avanço de projetos de inovação tecnológica com a necessidade de manter em funcionamento aplicações legadas que ainda sustentam operações críticas da agência. Nesse cenário, a estratégia passa menos pela substituição imediata desses sistemas e mais pela criação de novas camadas de proteção e monitoramento capazes de elevar o nível de segurança cibernética dessas plataformas. 

 

Outro ponto de atenção envolve o aumento de fraudes digitais que utilizam o nome da agência, especialmente em cobranças falsas relacionadas a pedágios ou multas. Para o executivo, além do reforço das medidas tecnológicas, o enfrentamento do cibercrime inclui conscientização dos usuários sobre o funcionamento desses sistemas e sobre os riscos do ambiente digital. 

 

Paralelamente, a ANTT também trabalha no desenvolvimento de projetos voltados à modernização da gestão da infraestrutura de transportes, incluindo o uso de Inteligência Artificial para monitoramento de rodovias, controle de tráfego e apoio à fiscalização das concessionárias.  

 

“A Segurança depende tanto da tecnologia, quanto da informação que chega ao cidadão. Inovações como a IA podem ajudar a tornar a fiscalização mais eficiente e inteligente, e sempre foi um fundamento meu entender que as mudanças tecnológicas podem melhorar a forma como o Estado é capaz de atender ao cidadão e melhorar a geração de valor de um país. Essa é minha motivação profissional e aqui ela permanece igual”, acrescenta. 

 

Apaixonado por educação, área em que iniciou sua carreira, Signorini acredita que a conscientização digital precisa ganhar espaço também na formação das novas gerações. Para ele, temas como proteção de dados deveriam fazer parte da formação básica das pessoas, ajudando a construir uma sociedade mais preparada para lidar com os desafios do ambiente digital. “Cibersegurança e privacidade deveriam ser discutidas desde cedo nas escolas”, afirma ele. 

 

Jornada até a Agência 

A chegada à ANTT ocorre após uma trajetória consolidada na área de tecnologia dentro do setor público. Signorini iniciou sua carreira ainda nos primeiros anos da expansão da internet no Brasil, trabalhando em um provedor regional na região de Suzano e Mogi das Cruzes, em São Paulo. Pouco tempo depois, ingressou no serviço público por meio de concurso na Fundação CASA, instituição onde teve a oportunidade de migrar para o universo da TI. 

 

“Foi um período em que tudo ainda estava começando, e isso despertou meu interesse pela tecnologia. Porém, na época, Segurança da Informação ainda não era tratada como prioridade estratégica, mas o amadurecimento no setor me levou a galgar posições de CIO, CISO e CTO, além de coordenar serviços tecnológicos que atendiam outros órgãos vinculados à Secretaria da Justiça de São Paulo”, relembra Signorini. 

 

A experiência acumulada o levou à Secretaria de Governo Digital do estado, onde se tornou executivo de SI e atuou na construção de políticas estruturantes de Cibersegurança, proteção de dados e gestão de identidade digital para sistemas públicos. “Nosso objetivo era estruturar uma base de Segurança capaz de proteger serviços que impactam diretamente a população”, explica. 

 

O trabalho chamou a atenção do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que o convidou para atuar como Consultor em Cibersegurança em projetos de modernização digital de governos na América Latina. Signorini colaborou com iniciativas de elevação da maturidade cibernética em diferentes estados e municípios brasileiros. “A proposta era justamente compartilhar experiências e apoiar governos na construção de políticas e projetos de Segurança Digital”, conclui. 

 

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