A Redbelt Security identificou 778 domínios criados para simular grandes plataformas de venda de ingressos online. O mapeamento, realizado entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, revelou que 214 desses endereços já estavam ativos no momento da análise, capturando dados pessoais e financeiros de consumidores.
A equipe técnica verificou quais endereços respondiam efetivamente a acessos, confirmando a disponibilidade das páginas fraudulentas. Os demais domínios mapeados, embora sem conteúdo no momento, representam uma ameaça latente. Criminosos podem colocar esses sites no ar a qualquer instante, aproveitando picos de demanda por grandes eventos para atrair vítimas sem aviso prévio.
As páginas fraudulentas reproduzem com fidelidade a identidade visual de empresas consagradas do setor de entretenimento. O uso de logotipos oficiais, paletas de cores idênticas e fluxos de compra realistas, incluindo a emissão de boletos com códigos de barras e detalhes de assentos, dificulta a identificação da fraude pelo usuário comum.
“O que chama atenção é o nível de sofisticação visual. Em alguns casos, o site falso reproduz até o número de seção, fila e assento, aumentando a credibilidade do golpe. E é esse cuidado revela grupos estruturados que utilizam divisões de tarefas e alta rotatividade de infraestrutura para evitar derrubadas”, afirma Marcos Sena, gerente de SOC da Redbelt Security.
Já para o CEO da Redbelt Security, Eduardo Lopes, o cenário exige que a educação digital seja a primeira linha de defesa. “Mesmo com a sofisticação tecnológica dos golpes, o comportamento do consumidor é o fator decisivo. Pequenas verificações antes de concluir uma compra podem evitar prejuízos financeiros que, muitas vezes, são irreversíveis”, ressalta o executivo.
Para identificar fraudes, especialistas recomendam atenção redobrada ao endereço do site (URL), buscando variações sutis no nome da marca. Além disso, é aconselhável priorizar o uso de cartões virtuais de uso único e desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado ou ingressos disponíveis para eventos oficialmente esgotados.
Caso o consumidor suspeite ter sido vítima, a orientação é contatar imediatamente a instituição financeira para bloquear transações e contestar valores. “O risco cibernético exige uma postura preventiva e, ao identificar qualquer inconsistência, o ideal é interromper a operação e procurar os canais oficiais da tiqueteira”, conclui Lopes.