Vazamentos de dados, indisponibilidade de sistemas e exposição de marca geram perdas financeiras imediatas. Esses incidentes comprometem a confiança de clientes e parceiros, gerando reflexos negativos que atingem rapidamente o valor de mercado das organizações.
De acordo com a Delfia, embora investidores ainda busquem estruturar como avaliar o preparo em Cibersegurança, os efeitos de crises digitais são nítidos. Interrupções operacionais e danos à imagem têm o potencial de desvalorizar ações e prejudicar contratos estratégicos.
“Incidentes de Segurança afetam o valuation sem sombra de dúvida. São riscos reais ligados à perda de dados sensíveis, interrupções na operação e danos à imagem, e tudo isso tem reflexo financeiro direto”, afirma Leonardo Santos, CTO da Delfia.
Apesar do impacto claro, o mercado ainda amadurece a forma de incorporar riscos cibernéticos em fusões e aquisições. Segundo o executivo, o movimento mais comum hoje é a exigência de compliance rigoroso em relações comerciais que envolvam troca de informações sensíveis, elevando a barra de segurança para parcerias e integrações.
A capacidade de mensurar esses danos varia entre os setores, enquanto o e-commerce consegue estimar perdas diretas por minuto de indisponibilidade, outras áreas ainda enfrentam dificuldades para traduzir riscos técnicos em cifras. Essa lacuna na tradução de dados limita a tomada de decisão estratégica em muitas organizações.
“É possível mensurar o impacto de um incidente, mas isso exige um nível alto de maturidade e conhecimento do negócio. O que vemos no mercado é que as organizações querem quantificar o risco, para ver se ele é viável de ser mitigado ou de ser aceito, porque tudo é custo. Nem todas as empresas conseguem fazer essa conta com precisão hoje”, reforça Santos.
O avanço da legislação, impulsionado pela LGPD e o Marco Civil da Internet, também levou o tema ao alto escalão. Regulamentações ampliaram a exposição a multas e sanções, fazendo com que riscos jurídicos e reputacionais entrassem definitivamente na agenda dos executivos financeiros e conselhos de administração.
“Hoje, risco cibernético já é, sim, risco financeiro e as leis exigiram que as empresas se adaptassem a uma nova realidade. A diferença é que nem todas as organizações estão no mesmo nível de preparo para tratar isso de forma estratégica”, conclui o CTO da Delfia.