Ecossistemas em risco ampliam necessidade de proteger supply chain

Líderes de Segurança do setor financeiro discutiram as novas ameaças abertas na cadeia de fornecimento, em especial vulnerabilidades não monitoradas, e como as estratégias de Segurança dos parceiros são parte importante da Segurança em todo o ecossistema

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A necessidade de a Segurança Cibernética transpor barreiras e limites corporativos para ser considerada em um contexto mais amplo de proteção, que embarque todo o ecossistema de empresas, é um fundamento que que faz cada vez mais parte do cotidiano dos CISOs. Porém, o escalonamento dos impactos e alcances dos incidentes fazem dessa uma demanda ainda mais crítica para cada uma das organizações, sejam elas usuárias ou fornecedoras de tecnologia.

 

Essa percepção foi analisada por líderes de SI do setor financeiro durante Painel de Debates sobre o tema no Security Leaders Brasília 2026. De acordo com os profissionais, a relação atual das empresas com seus fornecedores precisa ser analisada à luz de inovações essenciais para o setor, como a IA Generativa e a disseminação do Pix. Nesse sentido, as empresas têm avançado rapidamente para incluir novas tecnologias à geração de valor.

 

O desafio, porém, está em levar o mesmo padrão de Cibersegurança para cada um dos membros desse supply chain, vitais para toda a jornada tecnológica. Conforme explica o CISO do Banco do Brasil, Marcelo Ferreira, o setor de Cyber precisa se aproximar dos fornecedores da empresa desde o onboarding até a execução da parceria, de forma a garantir, desde o início, maturidade adequada.

 

“Isso nasce de uma avaliação mais ampla e profunda dos riscos de terceiros, incluindo a aquisição dos produtos, integração deles com nosso ambiente e os processos de Cyber Security em geral. Portanto, da nossa condição de instituição financeira, é essencial que incentivemos inteligência de negócio, legislação com os principais entes públicos, compartilhamento de expertise e, em resumo, uma aliança efetiva entre parceira e companhia”, explica ele.

 

Rafael Gonçalves, Executivo de Vendas LATAM da Cymulate, aponta também como demanda a se enfrentar a relação dos líderes de negócio com os riscos de Segurança, algo que precisa ser enfrentado a todo o momento pelos CISOs. “Podemos citar mesmo organizações com faturamentos de bilhões de reais, que estão avançando em inovações tecnológicas, mas que ainda encaram a demanda por Cibersegurança com resistência. Isso oferece um desafio à mais aos times, que não envolve conceito técnico, mas sim baseada no convencimento sobre risco”.

 

Além dessa aproximação, do ponto de vista de instituições reguladoras como o Banco Central do Brasil, atravessar esses relacionamentos com normativas e legislações que elevem o nível requerido de maturidade é também essencial. Para Caio Fernandes, Chefe Adjunto do Departamento de TI do BC, foi essa motivação que levou a autoridade monetária a elevar o conjunto de soluções para proteger o dinheiro do cidadão de campanhas de fraude.

 

“Também temos avançado na proteção também das próprias instituições financeiras e suas parceiras da indústria de Tecnologia, as chamadas PSTIs. Desde o último ano, vimos uma explosão de ataques contra essas estruturas, o que levou o BC a reforçar nossos padrões regulatórios com vistas a ampliar os padrões de maturidade Cibernética, tornando nossas demandas mais descritivas e os resultados mais robustos” disse o executivo.

 

Já o Diretor de Cyber Security da VISA, Marcelo Silva, também defendeu a atuação do Bacen: “Estamos sempre celebrando a ação do Banco Central em buscar construir um arcabouço legal mais robusto e seguro para essas transações, tornando as estruturas dentro de casa e com os parceiros mais saudável. Isso ainda nos incentiva a buscar padrões melhores de ecossistema para servir ao nosso cliente”, acrescenta.

 

O Painel de Debates “Quando o ataque escala: fraudes digitais e o risco sistêmico dos ecossistemas digitais” foi apresentado no Security Leaders Brasília, que abriu a série de eventos regionais de 2026. A partir de agosto, o maior e mais qualificado evento de Cibersegurança do país seguirá com a sua caravana por um périplo entre as capitais nordestinas de Recife, Salvador e Fortaleza, enquanto aquece os motores para o Security Leaders Nacional, nos dias 21 e 22 de outubro. Acompanhe as atualizações sobre os próximos eventos no portal do Security Leaders.

 

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Rui Borges

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