As inovações com Inteligência Artificial não devem ser bloqueadas ou suspensas, mas vistas à luz dos benefícios que trazem para o negócio e qual a posição que a Cibersegurança deve ter. Essa foi a visão estabelecida pelos líderes de SI presentes no palco do Security Leaders Porto Alegre para debater o tema, e apontar uma jornada mais eficiente para tornar o setor em uma peça essencial para a garantia da tendência inovadora das empresas.
Essa questão se torna particularmente importante quando se trata de setores críticos da sociedade brasileira, como o sistema financeiro e a rede de Saúde nacional. Nesse sentido, o Gerente Executivo de Segurança de TI no Banrisul, Alexandre Vieira, alerta que a SI não deve mais se colocar como impeditivo para novas tecnologias, como já fez no passado. O risco dessa repetição é voltar a ser apartado das discussões sobre boas práticas e ética na tecnologia.
“O ímpeto inovador das empresas é como um carro à 200km/h: Se tentarmos pará-lo a força, a chance de sofrermos um acidente é enorme. Devemos atuar como o freio ABS do veículo para permiti-lo fazer uma curva segura e seguir a sua jornada. Isso nos abre a oportunidade de oferecer critérios de transformação tecnológica que sigam padrões regulatórios e permitam a vantagem competitiva da empresa”, disse Vieria, durante Painel de Debates sobre o tema.
Assumir esse papel de guardião da inovação, entretanto, traz seus próprios desafios, mas que abrem espaço para que a Cibersegurança evolua enquanto departamento de destaque na empresa. Matheus Albarello, Security Manager da Creditas, aponta como primeiro passo estabelecer expectativas e meios para alcançá-las, segundo o que a empresa deseja que a IA Agêntica, por exemplo, faça pelo colaborador.
A formação dessa análise de impacto visa entender melhor a demanda do negócio e como a Cibersegurança pode ajudar a saná-la. “Dessa forma, temos a oportunidade de atualizar nosso discurso junto a todos os setores da companhia e ajudá-la a entender os melhores usos da tecnologia, inclusive fazendo parte dessa transformação, mostrando através do exemplo como aplicar uma IA nos processos sem que ela se torne uma fonte de risco”, explica.
Amaro Neto, CISO do Hospital Ernesto Dornelles, reforça que esse é o mesmo cenário em clínicas e hospitais com franca mudança digital. O passo seguinte do executivo foi se aproximar também dos setores de desenvolvimento da instituição de saúde e oferecer a eles uma oportunidade de construir maior confiança para inovar. Isso passa por contar com parâmetros e políticas bem delineadas de Cibersegurança, com um orientador desse uso da IA.
“A Segurança da Informação na Saúde terá que ficar particularmente atenta aos riscos gerados por inovações sem a devida gestão. Isso porque já vemos aplicações da Inteligência Artificial se tornando extremamente úteis no setor, mas que podem abrir espaço para ameaças aos diversos dados sensíveis de pacientes, que podem impactar diretamente a vida deles. Se temos uma provocação inovadora a ser preservada, precisamos contar com a SI nisso”, disse ele.
Outro modo de ajudar nessa articulação é avançar em casos de uso eficientes da IA na Cibersegurança. “Um caso é a redução do Nível 1 em operações de SOC. Há a tendência de otimização dos times nesse setor enquanto o monitoramento se torna mais preciso e acelerado. Se a Segurança conta com aplicações já tradicionais para a IA, o mesmo pode ser feito em outros espaços”, conclui Rodolpho Pereira, CEO da RCX Tecnologia de Negócios.
O Painel de Debates “Futuro da Cyber na era da IA Agêntica e Física” foi apresentado no Security Leaders Porto Alegre, o quarto evento regional de 2026. A partir de agosto, o maior e mais qualificado evento de Cibersegurança do país seguirá com a sua caravana por um périplo entre as capitais nordestinas de Recife, Salvador e Fortaleza, enquanto aquece os motores para o Security Leaders Nacional, nos dias 21 e 22 de outubro. Acompanhe as atualizações sobre os próximos eventos no portal do Security Leaders.