A redução de riscos na Braskem passou a ser tratada como uma jornada contínua de visibilidade, priorização e resposta rápida. Apresentado durante o ROCon LATAM 2026, o case da petroquímica detalhou como a parceria com a Qualys evoluiu do uso inicial de EDR, implementado após um ataque cibernético sofrido pela empresa em 2020, para uma estratégia abrangente de gestão de vulnerabilidades, identidades, ativos e ambientes em nuvem.
O incidente ocorrido em outubro de 2020, que provocou a indisponibilidade da rede corporativa, tornou-se um marco para a elevação da maturidade em SI da companhia. A resposta veio com o fortalecimento dos controles e a adoção do EDR para ampliar o monitoramento. Menos de um ano após a implementação da ferramenta, o sistema identificou uma anomalia com potencial para um novo incidente.
A rápida atuação da equipe, apoiada pelos dados da plataforma, permitiu conter a ameaça antes que afetasse as operações. “No final das contas, esse evento acabou se tornando um alerta, não chegou ao ponto de incidente. O que nos traz muito orgulho”, afirmou Julio Concilio, Líder Global de Segurança da Informação da Braskem.
O sucesso da contenção impulsionou a ampliação da tecnologia no ambiente fabril e administrativo. A Braskem incorporou recursos de gestão de vulnerabilidades baseada em risco, Patch Manager, CSAM, EICM e Cloud Security, além de estruturar o ETM Identity e realizar testes avançados em Application Security.
O objetivo, segundo Concilio, é consolidar uma visão unificada da exposição a ameaças e acelerar a remediação em uma infraestrutura global que abrange 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais, sete centros de inovação e presença direta em 11 países, somada a uma vasta cadeia de fornecedores.
Tecnologia como suporte à decisão e visibilidade em escala
Em um ecossistema desse porte, onde a visibilidade é o principal desafio operacional, o EDR monitora atualmente cerca de 6 milhões de eventos por mês. Essas métricas permitem que as equipes correlacionem dados, identifiquem a real criticidade dos ativos e meçam quantos alertas evoluem para riscos concretos.
Na prática, o score de risco nas workstations despencou de 843 para a faixa entre 250 e 270 pontos em poucos meses. Apesar da melhoria nos indicadores, Concilio faz questão de ressaltar que os números não pertencem ao software. “A solução em si é uma parte do processo. Mas as pessoas que operam a solução são o ponto-chave, o ponto principal”, enfatizou o executivo.
Essa mesma filosofia guiou a reestruturação da gestão de identidades na empresa. Jaqueline Santos, especialista em Segurança de Operações da Braskem, relatou que o modelo legado acumulava gargalos na atualização de falhas corrigidas e no gerenciamento de exceções, exigindo por vezes dias para processar validações. Com a migração para o ETM Identity, a petroquímica conquistou visibilidade sobre múltiplos domínios, comandos ágeis de correção e um canal direto com o SOC, reduzindo o uso de agentes e a carga nos servidores.
O avanço permitiu que o ambiente de identidade atingisse o marco histórico de 150 pontos no índice de risco. “Sem isso não seria possível atingirmos um score de 150, que é o que temos hoje. Então, isso aqui é trabalho de várias mãos em conjunto com a ferramenta”, comemorou Jaqueline.
O case da Braskem reforça uma transformação estrutural na cibersegurança: o valor da tecnologia não está no volume de dados gerados, mas na capacidade dos profissionais de interpretar esse contexto e convertê-lo em defesa ativa e resiliência corporativa.