Cibersegurança ganha peso na expansão da IA no Brasil

Relatório da AWS mostra que 50% das empresas brasileiras já utilizam IA, enquanto Segurança, proteção de dados e governança aparecem como desafios para avançar com tecnologias mais avançadas

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A rápida adoção da Inteligência Artificial no Brasil começa a colocar a Cibersegurança no centro da discussão sobre a próxima etapa de evolução da tecnologia. É o que aponta o relatório “Unlocking Brazil’s AI Potential 2026”, apresentado hoje (03) durante a AWS Summit 2026, em São Paulo. Segundo o estudo, 50% das empresas brasileiras já utilizam IA, o equivalente a cerca de 12 milhões de organizações, mas apenas 21% se consideram preparadas para adotar tecnologias mais avançadas, como a IA agêntica. 

  

O levantamento mostra que a Segurança passou a ser considerada uma das principais condições para a expansão da IA. Entre os investimentos apontados pelas empresas como mais importantes para o futuro digital do país, Segurança e resiliência digital aparecem entre as primeiras posições, atrás apenas da capacitação profissional. O estudo também identifica uma mudança na percepção sobre soberania digital: além da localização da infraestrutura, as empresas associam o conceito à proteção de dados, privacidade, Cibersegurança, governança da informação e controle sobre o acesso e processamento dos dados. 

  

A preocupação se estende à governança. Cerca de 73% das empresas afirmam que maior clareza nas regras de IA é essencial para acelerar a inovação, enquanto 67% dizem precisar de mais previsibilidade regulatória antes de realizar investimentos significativos. Ao mesmo tempo, embora 63% afirmem que os resultados dos projetos de IA superam o investimento inicial, somente 33% estão confiantes na capacidade de medir o retorno e 28% possuem um framework estruturado para essa avaliação. 

  

Segurança por design e novos riscos 

  

Durante encontro com a imprensa, Paula Bellizia, vice-presidente da AWS para a América Latina, afirmou que segurança está entre as principais prioridades das equipes técnicas e tende a ganhar ainda mais relevância com a expansão da IA agêntica, diante também da possibilidade de utilização dessas tecnologias em ataques cibernéticos. “Segurança é o nosso job número zero. A gente tem esse conceito de Security by Design em todos os serviços que oferecemos aos clientes, para que eles já tenham uma arquitetura e uma oferta de serviços com princípios muito rígidos em relação à segurança”, pontua a executiva. 

  

Questionado sobre o déficit de profissionais de Cibersegurança e o risco de a expansão da IA ampliar vulnerabilidades, Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, apontou a própria tecnologia como uma das ferramentas que podem apoiar as equipes. “Agentes de IA já são utilizados para auxiliar na análise de aplicações e na identificação de fragilidades. Ao mesmo tempo, a adoção precisa vir acompanhada do tratamento de vulnerabilidades, já que a ampliação do uso de agentes também ocorre em um ambiente no qual essas tecnologias podem ser utilizadas para ataques”, afirma. 

  

A governança foi outro ponto levantado pelos jornalistas. Bellizia citou frameworks de maturidade utilizados na jornada de adoção da nuvem como referência para apoiar clientes na organização do desenvolvimento, na medição de resultados e na definição de caminhos para escalar projetos de IA. Morais acrescentou que a chamada “governança day one” precisa considerar aspectos como quais agentes podem ser utilizados, que dados podem acessar e quais controles devem ser aplicados. 

  

O relatório apresenta ainda um exemplo de aplicação de IA em Segurança. O banco Inter utilizou IA agêntica em investigações de crimes financeiros e, segundo o estudo, registrou aumento de 108% na capacidade investigativa e de 1.480% na identificação de possíveis casos de financiamento ilícito. O caso aparece no levantamento como uma aplicação da tecnologia em prevenção a fraudes, combate à lavagem de dinheiro e investigação de crimes financeiros. 

  

Com a IA avançando rapidamente entre as empresas brasileiras, os dados apresentados na coletiva indicam que a discussão passa menos pela possibilidade de adoção da tecnologia e mais pelas condições para fazê-la de forma controlada. Nesse cenário, Segurança, proteção de dados e governança aparecem como elementos que acompanham a expansão da IA e da chamada IA agêntica. 

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