Seja no encurtamento do ciclo de ciberataques para poucos dias ou no alvo para comprometimento de identidades não humanas, a Inteligência Artificial se tornou o grande foco das companhias quando se trata de defesa e ataque cibernéticos. É o que conclui o estudo State of AI Report, publicado essa semana pela Sophos como forma de analisar como a ferramenta transformou o cenário global de Cibersegurança.
De acordo com o estudo, o primeiro a tratar diretamente desse tema na corporação, à medida que assistentes corporativos, modelos abertos e agentes de codificação recebem acessos privilegiados a sistemas vitais, os cibercriminosos passam a focar na quebra de credenciais e permissões dessas ferramentas. Sem a governança ainda adequada para esses processos, muitas dessas identidades não humanas escapam da proteção da Cyber.
Dessa forma, as identidades categorizadas como não humanas passaram a ser uma importante via de acesso para invasão e eventuais operações cibercriminosas nas empresas. Essa descoberta está em profunda sintonia com a recente edição do “State of Ransomware 2026”, também da Sophos: segundo esse estudo, 79% dos ataques desse malware teve como pontapé inicial algum tipo de comprometimento via identidades.
“Isso reforça a tendência preocupante de que a Inteligência Artificial, mais precisamente suas identidades dentro da infraestrutura, estão se tornando o alvo dos ataques, isso inclui ainda tokens OAuth, agentes, APIs e ferramentas de desenvolvimento. Em um contexto em que 71% das empresas aplicam agentes de IA nos seus sistemas centrais, mas apenas 16% governam adequadamente esse acesso, o risco se torna imediato”, explica Alexandra Rose, Especialista global em Ameaças da Sophos, durante coletiva de imprensa sobre o estudo.
Da mesma forma, a Inteligência Artificial se tornou peça fundamental na aceleração das operações cibercriminosas dos agentes hostis. Embora essa seja uma tendência já captada por diversas análises sobre o assunto, a Sophos reforça que esse processo tem permitido que meios de ataque preexistentes, tal qual o ransomware, contem com um processo mais eficiente e perigoso de operação, em uma reinvenção de estratégia.
Um exemplo oferecido pela Especialista é o da campanha STAC6994: O grupo executou um ambiente de desenvolvimento de software oculto dentro da rede de uma vítima, utilizando cerca de 12 agentes de IA para programar e testar ataques contra soluções de Segurança em endpoints. Em poucos dias, criaram quase 80 módulos e mais de 70 técnicas de evasão, um trabalho que levaria semanas para ser concluído por humanos.
Os invasores ainda precisam de um acesso inicial, ainda se movimentam lateralmente pela rede e ainda extraem dados por canais conhecidos. O que mudou foi o relógio”, destaca John Peterson, CTO da Sophos. “Pela primeira vez, observamos a IA sendo usada ativamente como um multiplicador de força operacional. É contra essa ameaça que as equipes de SI precisam se preparar, exigindo mais eficiência para conter o incidente antes que gere impacto.”
Escala de engenharia social
O “State of AI” também reforça a transformação que o uso de métodos de engenharia social, como deepfakes, sofreu nos últimos meses a partir da aplicação da Inteligência Artificial. A partir dessa ferramenta, atividades golpistas ganharam escala e se tornaram mais persuasivas, adaptando seu “modus operandi” para cada uma das realidades em que opera, atravessando barreiras de idioma e reduzindo custos de produção.
O relatório cita o exemplo de uma vítima no Reino Unido que perdeu centenas de milhares de libras ao ser atraída para uma falsa plataforma de investimentos. O golpe foi construído ao longo de meses por meio de lições e mensagens coordenadas via inteligência Artificial. Nesse contexto, tanto atividades humanas quanto de agentes autônomos podem ser enviesadas a partir de direcionamentos maliciosos movidos pela ferramenta.
“A IA já foi absorvida pelas operações criminosas, bem como pelo desenvolvimento de software e sistemas de identidade das empresas. Nos próximos meses, o diferencial será a rapidez com que as empresas conseguirão governar o uso da IA, proteger suas identidades e acompanhar o ritmo de invasores cada vez mais ágeis”, conclui Peterson.