A terceira edição do Panorama da IA no Brasil indica um descompasso estrutural no mercado corporativo. Conforme o levantamento inédito realizado pela Zappts, a adoção de agentes de inteligência artificial avançou significativamente, mas a governança, o controle financeiro e a alocação orçamentária ficaram para trás. O estudo revelou que 55,1% das companhias operam sem nenhum mapeamento estruturado de retorno sobre investimento (ROI), índice que quase dobrou em relação aos 30,6% registrados no levantamento de 2025.
Além disso, o estudo mostrou que 48% das empresas permanecem estagnadas entre a fase de testes e a implementação em escala. Apenas 11,4% atingiram a utilização generalizada da tecnologia por toda a organização, mantendo um patamar similar ao ano anterior. Paralelamente, os impactos na força de trabalho começam a se desenhar, já que 27% das lideranças preveem o congelamento de novas contratações operacionais devido aos avanços tecnológicos. No total, 77,3% das corporações projetam ajustes no quadro de funcionários nos próximos três anos.
A falta de controle orçamentário consolidou-se como o obstáculo central das organizações no último ano. A aceleração na implementação de soluções digitais superou a capacidade interna de aferição de resultados, sendo que 26,2% das companhias sequer possuem verbas destinadas a projetos de agentes de IA, enquanto 19,5% ainda disputam investimentos dentro do orçamento tradicional de TI.
“As empresas brasileiras já começaram a entender que agentes de IA não são apenas projetos isolados de TI, eles passam a compor uma nova força de trabalho digital. O problema é que a maioria ainda administra essa capacidade sem o mesmo rigor financeiro aplicado à força de trabalho humana. Não dá para escalar um modelo híbrido de trabalho sem saber quanto cada agente custa, quanto valor gera e qual é o seu ROI. E, à medida que essa força de trabalho cresce, agentes de IA precisam deixar de ser uma despesa difusa de tecnologia e passar a ter orçamento, métricas e accountability próprios”, disse Pablo Augusto, CEO da Zappts.
A Segurança da Informação e a privacidade assumiram o topo dos desafios corporativos com 13,7% das menções, superando a integração com sistemas legados (10,5%). A escassez de talentos, que afetava mais de 60% das companhias nos dois anos anteriores, caiu para 3,2%, migrando a demanda para especialistas em orquestração de algoritmos e LLMs (16,8%).
“Segurança virou o novo gargalo porque a autonomia avançou mais rápido que a governança. Nenhuma empresa deveria colocar um agente lendo e-mail de cliente ou mexendo em dado financeiro sem um Gateway registrando e controlando cada chamada. Sem isso, você não sabe nem quanto está gastando em token, e menos ainda se algum dado vazou”, diz Rodrigo Bornholdt, CTO da Zappts.
O crescimento do Shadow AI acompanha a ausência de políticas corporativas, uma vez que 41,9% das organizações admitem não possuir diretrizes de Segurança para a atuação de agentes autônomos. Esse cenário se agrava pelo fato de que 59,9% dos usuários ocupam cargos fora das diretorias de TI, somando-se à falta de conhecimento sobre camadas de controle, como o Gateway de IA, ausente em 55,2% das empresas.
A autonomia plena da IA permanece restrita, já que apenas 3,6% das corporações permitem a execução de processos críticos sem supervisão, enquanto 36,5% exigem validação prévia em todas as ações. O levantamento da Zappts ouviu executivos de tecnologia, inovação e negócios entre abril e julho de 2026, apresentando margem de erro de 7,6% e nível de confiança de 95%.