Os ataques de ransomware no Brasil aumentaram pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 27 casos em agosto e registrando o maior volume do ano no país. O panorama global seguiu o mesmo ritmo de aceleração, com agosto marcando a maior atividade dos últimos doze meses ao contabilizar 1.212 ocorrências, um crescimento de 27% frente às 955 registradas em julho. Os dados são do Ransomware.live, plataforma de monitoramento de vazamentos mantida com suporte da Cohesity, especializada em IA e Segurança de dados.
O desempenho manteve o Brasil na sexta posição do ranking global de vítimas, empatado com a Índia e atrás apenas de Estados Unidos (415), Alemanha (71), Itália (51), Reino Unido (50) e Canadá (31). O grupo das dez nações mais atingidas no período é completado por França (24), México (24) e Austrália (19), evidenciando uma redistribuição das ofensivas cibernéticas para mercados emergentes e fora do eixo ocidental tradicional.
“Vemos uma expansão clara na mira dos criminosos para além das potências ocidentais tradicionais, e o Brasil reflete diretamente essa descentralização”, aponta Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina. “A aceleração nos ataques exige atualização urgente de defesas e planos de resposta. Quem não conhece seus próprios dados e não treina a recuperação em massa coloca a continuidade da empresa em risco.”
Na análise por segmentos, manufatura (185) e tecnologia (161) lideraram o volume de incidentes com altas de 21,7% e 27,8%, respectivamente. Já o mercado B2B recuou para a terceira posição ao somar 136 casos, enquanto o setor de saúde registrou um avanço preocupante de 38,8%, alcançando 118 ocorrências. A lista dos dez setores mais visados inclui ainda varejo (76), serviços financeiros (69), transporte (44), agricultura (39) e energia (33).
“Os ataques constantes a organizações de saúde acarretam um risco operacional específico, dado o potencial impacto na segurança do paciente. É uma preocupação grande e deve provocar uma urgência renovada em relação aos ciclos de aplicação de correções, à segmentação de rede e à preparação para resposta a incidentes”, afirma Leite.
O levantamento do Ransomware.live monitora continuamente sites de vazamento de grupos cibercriminosos para identificar organizações impactadas por softwares maliciosos que bloqueiam dados corporativos mediante resgate. Divulgados mensalmente pela Cohesity, os indicadores apontam que o patamar atual supera expressivamente a mínima registrada em setembro de 2025, quando o monitoramento identificou 598 incidentes no mundo.