Combate ao cibercrime pede soluções integradas e foco na proteção do dado

As ferramentas realmente precisam ser colaborativas, inteligentes e trabalhar em conjunto, sendo capazes de trocar informações, avaliar o comportamento de coisas e pessoas para, então, barrar o maior número de ameaças, independentemente de onde elas estejam

Compartilhar:

As empresas brasileiras, no geral, estão mais conscientes dos riscos causados pelas ameaças cibernéticas e estão buscando por mais informação e tecnologia para protegerem seus dados. Os ataques WannaCry e Petya, os casos de vazamentos de dados e as novas regulamentações nacionais e internacionais acenderam um alerta e mostraram que a segurança da informação precisa de mais atenção dentro dos ambientes corporativos. Apesar de todo o avanço tecnológico, a guerra contra o cibercrime não dá nenhuma trégua. As ameaças continuam aumentando consideravelmente e se tornando cada vez mais sofisticadas.

 

O momento atual do mercado nos mostra que um dos principais alvos dos cibercriminosos é a nuvem. Há poucos anos o uso da nuvem não era sequer considerado em alguns setores, mas hoje a adoção da nuvem está sendo forçada pela evolução das tecnologias. Muitos softwares e aplicações que eram on-premise agora só funcionam na nuvem e os usuários nem tem mais a opção de usar a ferramenta de outra forma. Com os dados valiosos das empresas trafegando na nuvem, é lá onde os criminosos vão agir também, ampliando consideravelmente os vetores de ataques.

 

Ainda não existe uma bala de prata capaz de deter o avanço das ameaças. Ao longo dos anos vimos diversas tecnologias serem criadas e aplicadas na detecção de ameaças como antivírus, filtros, sandbox, machine learning e tantas outras. E também vimos os atacantes criarem ataques focados especialmente em invadir todas essas contramedidas.

 

A verdade é que nunca vai existir uma ferramenta ou uma tecnologia que proteja todos os dados, em todos os lugares, seja na nuvem ou na estrutura local. E mesmo se essa ferramenta milagrosa fosse inventada, duraria pouco tempo, pois os atacantes não mediriam esforços para desenvolver ataques direcionados para transpassar tal tecnologia.

 

Centenas de novas ameaças são criadas a cada minuto e não existe uma ferramenta, principalmente baseada em assinatura, que consiga reconhecer e bloquear esse volume de novas ameaças. Sabendo disso, o próximo passo é definir o que deve ser feito depois que um incidente acontecer para evitar que os dados da empresa sejam comprometidos. No cenário atual, a resposta a incidentes e a correção são mais importantes do que a detecção.

 

Até agora, a integração entre soluções é a estratégia mais eficiente para mitigar os riscos. O foco da proteção tem que estar no dado e não mais no dispositivo. As ferramentas realmente precisam ser colaborativas, inteligentes e integradas, capazes de trocar informações, avaliar o comportamento de coisas e pessoas para então barrar o maior número de ameaças, independentemente de onde elas estejam.

 

As equipes de segurança não podem focar apenas em apagar o incêndio, é preciso ir além, agir para que aquele incidente não volte a acontecer, focar em melhorar a postura de segurança como um todo. Um pequeno avanço na postura de segurança corporativa já pode resultar em um enorme ganho e significar milhares de dólares economizados no caso de um incidente grave.

 

* Jeferson Propheta é diretor-geral da McAfee no Brasil

 

Destaques

Colunas & Blogs

Avatar photo
Rui Borges

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

TIVIT adota detecção de injeção biométrica para barrar deepfakes e fraudes ocultas em bancos

Tecnologia revela tentativas de ataques com IA que eram aprovadas como acessos legítimos pelos sistemas tradicionais de autenticação
Security Report | Overview

Ataques de ransomware no Brasil sobem pelo 3º mês e país se consolida no Top 6 mundial

Agosto registra pico global de 1.212 ciberataques corporativos nos últimos 12 meses, impulsionado pela expansão de ofensivas contra os setores...
Security Report | Overview

Falha no ChatGPT permitia que atacantes acessassem dados corporativos no Gmail

Pesquisadores da Check Point Research descobrem canal oculto no ambiente da OpenAI que permitia extrair dados de serviços conectados como...
Security Report | Overview

Phantom Deal: golpe de M&A falso teve como alvo Avast e outras empresas da Fortune 500

Engenharia social sofisticada simulou aquisição confidencial de mais de 600 mil euros utilizando personificação de executivos e NDAs falsificados no...