Os períodos de férias costumam representar uma oportunidade estratégica para criminosos virtuais, segundo o professor Evaldo Reis Junior, coordenador dos cursos de Tecnologia do Centro Universitário Cesuca. “As férias reúnem todos os ingredientes que os criminosos procuram: grande volume de compras online, consumidores ansiosos para garantir viagens e muitas decisões tomadas em pouco tempo. Quando a empolgação supera a cautela, o risco de cair em golpes aumenta significativamente”, explica.
Entre as fraudes mais frequentes estão os sites falsos que simulam companhias aéreas e agências de turismo, oferecendo passagens com valores muito abaixo do mercado, cujas reservas nunca existiram após o pagamento via PIX. Nas hospedagens, o golpe envolve perfis falsos ou páginas clonadas que reproduzem imagens reais de hotéis e pousadas. Já nos imóveis de temporada, criminosos anunciam propriedades inexistentes ou utilizam fotos sem autorização para exigir adiantamentos.
“É comum que a vítima encontre anúncios extremamente atrativos, com preços muito abaixo da média e uma narrativa que transmite urgência. Quando a oferta parece boa demais para ser verdade, geralmente merece uma verificação cuidadosa antes de qualquer pagamento”, alerta o especialista. Paralelamente, o uso de inteligência artificial sofisticou o cenário, permitindo a criação de textos, imagens, vídeos e vozes sintéticas para tornar os golpes mais convincentes.
Uma das modalidades que mais preocupa são os deepfakes, que reproduzem a voz ou a imagem de pessoas reais para simular emergências e pressionar as vítimas. Além disso, as técnicas de phishing para roubo de dados financeiros tornaram-se altamente personalizadas. “A IA permite criar mensagens muito mais convincentes, com linguagem adequada ao perfil da vítima e aparência extremamente profissional. Isso reduz os sinais tradicionais de fraude e exige atenção redobrada dos consumidores”, afirma Reis.
Para identificar fraudes, o consumidor deve suspeitar de preços muito abaixo da média, links com endereços estranhos, erros de português, perfis de redes sociais recém-criados e pressão para concluir a compra. Para reduzir os riscos, o especialista recomenda acessar os sites oficiais digitando o endereço diretamente no navegador, evitando links em mensagens de origem duvidosa. Também é vital checar o certificado de segurança (cadeado na barra) e conferir avaliações de outros usuários.
“O principal cuidado continua sendo o mesmo: não permitir que a pressa decida por você. Alguns minutos dedicados à verificação de uma oferta podem evitar prejuízos financeiros e muitos transtornos durante as férias”, conclui o professor.