Enquanto as empresas aceleram investimentos em IA, automação e transformação digital, especialistas alertam para vulnerabilidades críticas mantidas na infraestrutura básica. A mais recente atualização da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA (CISA) reforça esse cenário ao incluir novas falhas em seu catálogo de ameaças exploradas e recomendar atenção especial à proteção de roteadores e dispositivos conectados.
Na prática, o alerta evidencia que criminosos seguem explorando pontos conhecidos da rede corporativa para obter acesso inicial. Em muitos casos, os atacantes não utilizam técnicas sofisticadas ou IA, bastando encontrar equipamentos expostos, desatualizados ou configurados incorretamente. Roteadores seguem entre os alvos mais estratégicos por representarem uma porta de entrada privilegiada.
“Quando um roteador é comprometido, o atacante pode obter visibilidade sobre o tráfego da organização, movimentar-se pela infraestrutura e criar mecanismos de persistência sem chamar atenção. Por isso, esses equipamentos continuam sendo um dos principais alvos dos ataques atuais”, explica Gustavo Suzuki, diretor técnico da NetSafe Corp.
O desafio cresce porque muitas empresas tratam esses dispositivos como instalações definitivas, aplicando poucas atualizações ao longo de sua vida útil. Essa realidade reforça a necessidade de uma gestão contínua de vulnerabilidades, em que as organizações mantêm visibilidade permanente sobre os ativos para identificar e corrigir falhas com agilidade.
“A velocidade passou a ser um fator decisivo na cibersegurança. O intervalo entre a divulgação de uma vulnerabilidade e sua exploração vem diminuindo continuamente. Empresas que mantêm inventários atualizados e conseguem priorizar a correção dos ativos mais críticos reduzem significativamente sua exposição ao risco”, afirma Vinicius Mendes, VP de Vendas da Orca Security para América Latina.
Para reduzir a superfície de ataque, especialistas destacam a necessidade de mapear dispositivos, eliminar equipamentos sem uso, restringir acessos administrativos, segmentar ambientes críticos e adotar autenticação multifator. Erros básicos, como senhas padrão, firmware desatualizado, gerenciamento remoto exposto e falta de inventário, seguem liderando os fatores de risco nas organizações.
“Boa parte dos incidentes poderia ser evitada com processos consistentes de gestão de ativos, atualização contínua e revisão das configurações dos equipamentos. Antes de discutir tecnologias avançadas, as empresas precisam garantir que a infraestrutura fundamental esteja protegida”, conclui Suzuki.
O novo alerta da CISA reitera que, mesmo em uma era em que a Inteligência Artificial acelera os cenários de defesa e ataque, a higiene da infraestrutura básica permanece como o pilar mais decisivo para garantir a resiliência corporativa.