Brasil registra 108 mil ataques DDoS em junho, maior volume mensal de 2026

Relatório da Huge Networks aponta crescimento de 27% sobre janeiro e reversão na trajetória de queda. São Paulo retoma a liderança geográfica, enquanto Norte e Nordeste concentram mais de um terço dos casos

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O Brasil registrou 108.393 ataques DDoS em junho de 2026, o maior volume mensal do ano e uma alta de 27% em relação a janeiro (85.158). Os dados fazem parte do HugeReport, levantamento da Huge Networks. O salto interrompe a tendência de queda observada entre janeiro e fevereiro, indicando uma mudança de estratégia dos atacantes, que passaram a diversificar técnicas para burlar defesas tradicionais. 

  

O maior ataque mitigado em junho atingiu 2,40 Tbps (terabits por segundo), capacidade suficiente para saturar infraestruturas desprotegidas e derrubar serviços críticos. Embora menor do que o pico registrado em maio (4,35 Tbps), a volumetria segue elevada e demonstra que os ataques, mesmo mais frequentes, mantêm alto potencial de impacto nas operações digitais. 

  

A série histórica mostra que fevereiro havia registrado a mínima em quatro meses, com 33.762 casos, após sucessivas quedas desde o pico de dezembro de 2025 (136.389). A partir de abril, o volume voltou a crescer, 39.489 em abril e 48.979 em maio, até disparar 121% em junho, essa aceleração evidencia o aumento constante da pressão cibernética sobre o mercado nacional. 

  

“O crescimento dos ataques DDoS acompanha a expansão da infraestrutura digital no Brasil, com destaque para setores como ISPs, e-commerce, fintechs e plataformas de pagamento, alvos frequentes devido à dependência de disponibilidade contínua. Ataques bem-sucedidos podem derrubar sites, aplicativos e serviços online por horas, com impacto direto na receita”, afirma Erick Nascimento, CEO da Huge Networks. 

  

O protocolo UDP liderou os vetores de ataque em junho, respondendo por 37,14% das ocorrências, número alinhado a maio (37%). Já o UDP-QUIC caiu de 28,72% para 10,43%, com o tráfego se pulverizando entre múltiplos protocolos: IP (8,57%), LOW-UDP (8,05%), TCP (6,38%) e ICMP (5,97%). A mudança sinaliza uma fragmentação proposital para dificultar a detecção. 

  

“A dispersão observada em junho reflete estratégia comum de atacantes: fragmentar as técnicas de ataque entre múltiplos vetores para dificultar a detecção e contornar proteções configuradas com base em padrões anteriores”, afirma Nascimento. O movimento confirma a volatilidade dos métodos utilizados e reforça que a proteção cibernética precisa ser contínua, adaptativa e multivariada. 

  

No recorte geográfico, São Paulo retomou a liderança em junho com 25,8% dos casos, após o Pará ocupar o topo em maio (23,8%). A sequência do ranking traz Bahia (15,33%), Maranhão (11,34%), Minas Gerais (10,25%), Paraná (4,59%), Pernambuco (4,19%) e Rondônia (3,51%). Os demais estados somaram 21,74% das detecções do mês. 

  

As regiões Norte e Nordeste mantêm papel central no cenário de ameaças. Somando Bahia, Maranhão, Pernambuco e Rondônia, o bloco concentrou 34,37% dos registros, mais de um terço do total nacional. O volume confirma a tendência observada no mês anterior e aponta para o avanço da atividade cibercriminosa fora do eixo Sudeste. 

  

“O padrão geográfico reflete o crescimento acelerado da infraestrutura digital em regiões como Norte e Nordeste, onde ISPs regionais e novos data centers expandem cobertura. Esse crescimento nem sempre vem acompanhado de maturidade em segurança cibernética, criando janelas de oportunidade para atacantes”, afirma o CEO da Huge Networks. 

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