Bancos destinam R$ 5 bilhões à Cibersegurança

Valor representa cerca de 10% do orçamento total de tecnologia do setor, estimado em R$ 50 bilhões para o ano de 2026. Pesquisa da Febraban também aponta avanço da integração entre as áreas de Segurança, prevenção a fraudes e levagem de dinheiro

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Bancos vão destinar cerca de R$ 5 bilhões à Cibersegurança em 2026, o equivalente a 10% de todo o orçamento de tecnologia previsto para o setor neste ano. A estimativa foi apresentada por Eduarda Davidovic, diretora de Inovação e Tecnologia Bancária da Febraban, durante a divulgação da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, na FEBRABAN TECH, que acontece nesta semana em São Paulo. O montante supera os cerca de R$ 3 bilhões previstos para iniciativas de IA, Analytics e Big Data.

 

O investimento ocorre dentro de um orçamento tecnológico total de aproximadamente R$ 50 bilhões projetado pelos bancos para 2026. Segundo a executiva, embora as verbas para Inteligência Artificial e Segurança estejam contabilizadas em frentes distintas, as duas agendas avançam de forma cada vez mais integrada, com aplicações de IA voltadas à prevenção de fraudes, análises preditivas e proteção cibernética.

 

“Para você processar com IA, você precisa estar com a sua infraestrutura redonda e com a sua arquitetura de dados também muito bem calibrada, balanceada e avançada”, afirmou a executiva durante encontro com a imprensa.

 

Integração das áreas

 

Além do aumento dos investimentos, a pesquisa aponta uma maior convergência entre as áreas de Segurança, prevenção a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD). De acordo com o levantamento, 88% das instituições afirmam já integrar essas frentes, enquanto 40% atuam de forma conjunta na resposta a incidentes e 36% compartilham informações diretamente entre as equipes.

 

A presença da Cibersegurança também ganha espaço na governança corporativa. Segundo os dados, 58% dos bancos já contam com pelo menos um especialista em Segurança no conselho de administração.

 

Na proteção dos clientes, a autenticação multifator aparece como prioridade para 88% das instituições, seguida pelo monitoramento preditivo de transações (76%) e pela biometria comportamental (60%). O uso de IA e machine learning para detecção de fraudes é citado por 56% dos entrevistados.

 

Ainda dentro do orçamento total de R$ 50 bilhões, os investimentos em IA, Analytics e Big Data devem crescer 8%, alcançando cerca de R$ 3 bilhões, enquanto a migração para Cloud deve atingir R$ 3,9 bilhões.  


IA e Segurança caminham juntas
 


A pesquisa aponta que 92% dos bancos já identificam como principal benefício da IA o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras. Ao mesmo tempo, 48% reconhecem ganhos na detecção e prevenção de fraudes. Entre os agentes de IA, as aplicações estão concentradas principalmente na automação de processos internos (76%) e no atendimento por chatbots e voicebots (71%). 

 
Durante o encontro, os executivos destacaram que a adoção de agentes ainda está em fase de amadurecimento e exige integração com os ambientes de dados, aplicações e infraestrutura existentes. Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, ressaltou a preocupação do setor com governança e apontou a análise de riscos complexos como uma aplicação que tende a ganhar espaço. “A era dos agentes ainda está em estágio inicial, mas já desperta uma preocupação significativa com governança”, afirmou. 

  

Era quantum

 

Outro movimento acompanhado pelos bancos é o da computação quântica. Ao todo, 71% das instituições consideram que a tecnologia terá alta relevância no curto ou médio prazo, tendo criptografia e segurança pós-quântica entre os temas prioritários. Mulinari citou 2029 como uma das estimativas para o surgimento das primeiras aplicações da computação quântica voltadas à segurança, embora tenha ressaltado a existência de divergências entre as previsões da academia e dos fornecedores. Segundo ele, os bancos já se antecipam para que estejam preparados quando a tecnologia alcançar escala. 

  

O levantamento também mostra que a transformação tecnológica exige mudanças nas próprias equipes. Setenta por cento dos bancos já possuem ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional, enquanto 42% pretendem ampliar seus times de TI. Em média, 11% dos profissionais dos bancos já atuam na área de tecnologia. 

  

Os dados apresentados na coletiva indicam a presença de iniciativas relacionadas a cibersegurança, prevenção a fraudes, inteligência artificial, dados e infraestrutura entre as prioridades tecnológicas do setor bancário.

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Rui Borges

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