A democratização do desenvolvimento impulsionada pela Inteligência Artificial está alterando a dinâmica tradicional entre tecnologia, Segurança e áreas de negócio. Neste momento, a capacidade de criação de novas ferramentas nas mãos de todos os usuários colocam os líderes diante de um dilema crítico: Quais as possibilidades de proteção quando todos se tornam desenvolvedores?
Esse tema foi discutido durante Painel de Debates promovido pela TVSecurity em parceria com a Delphix, para dialogar com líderes do setor a respeito de suas visões sobre esse cenário e quais caminhos podem ser adotados para que a Cyber possa, finalmente, acompanhar a velocidade do negócio. Durante a conversa, os CISOs reforçaram que o tempo em que o setor apenas seguia o fluxo do business precisa ser substituído pela colaboração inovadora.
“Os CISOs em geral percebem que estamos desenvolvendo mais rápido, a partir da IA Agêntica, mas a Segurança segue ainda uma fórmula muito lenta de resposta a isso. Neste momento, temos uma oportunidade para estabelecer padrões mais eficientes de governança e, de fato, fazer parte da construção inovadora do negócio, reforçando nosso papel de habilitador”, comenta André Frutuoso, CISO da Quod.
Agora, neste novo cenário, Segurança da Informação, Tecnologia, áreas de negócio, governança, riscos e compliance precisam compartilhar decisões relacionadas à adoção e utilização de IA. A avaliação é que a responsabilidade pelos riscos associados às novas aplicações não pode ficar concentrada exclusivamente na SI, pois o processo exige envolvimento contínuo dos executivos do business, com definição clara de papéis, critérios de aprovação e apetite ao risco.
Além disso, os especialistas destacaram que os ciclos tradicionais de governança tendem a ser insuficientes diante da velocidade imposta pela IA, exigindo modelos mais dinâmicos e permanentes de acompanhamento. Conforme explica o Superintendente de TI da Zurich Seguros, Fábio Petená, a disposição de todos os setores de criar caminhos de desenvolvimento deve ser vista como uma oportunidade de disseminar a responsabilidade compartilhada.
“A tecnologia e a Segurança precisam mostrar que estão ali para ajudar e habilitar, não para impedir. Esse equilíbrio está em entender as dores dos times e como o desenvolvimento está conseguindo ajudá-los nesses desafios. A partir disso, podemos assumir o papel de orientar esses usos eficientes segundo padrões de governança e mitigação de risco condizentes com o que o negócio precisa”, reforça o executivo.
Ainda na avaliação dos especialistas, o ganho de velocidade traz benefícios para as organizações, mas também pode levar ao enfraquecimento de práticas consolidadas de desenvolvimento seguro, testes, validação de código e proteção de dados quando não existe uma estrutura adequada de governança. O consenso do debate foi que a adoção de IA não deve ser tratada sob a lógica da restrição, mas sim da habilitação segura.
“A ascensão dos modelos de IA reduziu muito o custo da tradução da expertise de negócio para código, e por isso, a busca por velocidade vem pressionando práticas tradicionais de desenvolvimento seguro. Nesse sentido, nosso caminho não é chegar e dizer que não pode usar. É trazer a área de negócio para perto e fazer do jeito certo”, concluiu Daniel Stolf, Engenheiro de Soluções da Delphix.