Articulação global é crítica para transformar proteção de dados, defende Observatório Iberoamericano

Em um mundo onde as informações dos indivíduos não estão mais restritas às fronteiras nacionais, construir cooperação com nações vizinhas e alinhar perspectivas de proteção desses registros será um passo capital para reformular o mundo digital de hoje. Esse destino motivou o Observatório Iberoamericano de Proteção de Dados a avançar na preservação de conquistas como privacidade, inovação e uso ético desses meios

Compartilhar:

Diante de um processo cada vez mais acelerado de transformação digital e vivência das pessoas no ciberespaço, o próximo grande desafio enfrentado pelas agências de Proteção de dados no Brasil e no mundo é garantir a integridade das informações mais sensíveis e pessoais em um contexto de movimentação de registros que não se limita às fronteiras dos países. É visando essa gestão que os países falantes de português e espanhol uniram forças visando ampliar a isonomia de suas leis e ampliar a cooperação na defesa dos dados dos indivíduos.

 

Nesse contexto nasceu o Observatório Iberoamericano de Proteção de Dados, que tem trabalhado nas nações da região latino-americana e da península ibérica para reafirmar a proximidade desses países em plena cooperação de proteção de dados nos meios digitais. O objetivo é que cada parte possa convergir em direção a um núcleo de princípios éticos compartilhados em privacidade e proteção dos direitos de titulares de dados.

 

“Hoje, o Observatório atua como uma ferramenta estratégica para as gestões públicas no sentido de avançar com regulações, implementações e fiscalizações efetivas, ampliando as capacidades de operações institucionais, destacando em especial o papel que a cooperação regional pode gerar valor público no campo da proteção de dados pessoais”, explica Beatriz de Anchorena, Titular da Agencia de Acceso a la Información Pública (AAIP) da Argentina.

 

Nesse contexto, Beatriz explica que a instituição internacional tomou três constatações principais a desafiar a integração do data protection na região, incluindo as distintas origens modelos e níveis de implementação regulatória das leis de proteção; a fragmentação dos dados distribuídos na rede digital – dificultando o monitoramento e controle desses registros, e a necessidade de coordenação entre as partes ser uma demanda urgente, apesar das contradições históricas impostas entre elas.

 

Diante disso, o Observatório propõe 4 soluções orientativas para garantir essa necessária aproximação. A primeira envolve uma estandardização mínima para reformar os padrões normativos vigentes, que considerem também as transformações tecnológicas movidas por estruturas de ponta como a Inteligência Artificial. Isso abriria espaço para o desenvolvimento de um marco referencial para os dados em ambientes tecnológicos emergentes.

 

“Uma terceira ação é a formulação de um documento para órgãos de regulação e auditoria algorítmica, consistindo em um guia prático para legisladores e autoridades de proteção de dados abordando como fiscalizar os algoritmos de IA e fortalecer a capacidade institucional existente. Apenas esses três primeiros passos já seriam suficientes para um avanço crítico nas gestões de dados no mundo contemporâneo”, acrescenta a representante.

 

E para solidificar essa estratégia, a quarta solução estabelece um protocolo regional de resposta à incidentes de Segurança que resultem em comprometimento de dados. “Nossa proposta é reunir essas quatro proposições em uma plataforma digital que conduza uma aproximação mais cooperativa entre esses países, diante de um contexto de acelerada transformação no uso de dados pessoais”, conclui.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

O futuro da Cibersegurança já começou, e setor inicia debate sobre transformações

Impulsionadas pela IA autônoma, mudanças regulatórias e novas tensões geopolíticas, as transformações da segurança cibernética estarão no centro das discussões...
Security Report | Destaques

Sem Cibersegurança, não há soberania: estudo reforça demanda por independência digital

Pesquisa formulada pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio defende a integração de dados, IA e segurança...
Security Report | Destaques

Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul amplia maturidade de SI com arquitetura unificada

Com baixa centralização das políticas e um amplo gap de mão de obra para aplicar boas práticas de Segurança, o...
Security Report | Destaques

Principal preocupação dos CEOs no Brasil é a Cibersegurança, alerta pesquisa

Estudo da EY-Parthenon revela também que transações corporativas e inteligência artificial ganham protagonismo nas estratégias empresariais