Aplicativo de negociação de criptomoedas para Mac é usado para distribuir malware

ESET analisa o malware GMERA e como ele tenta roubar informações de usuários

Compartilhar:

A ESET identificou sites que distribuem aplicativos mal-intencionados para comprar e vender moedas criptografadas destinadas a usuários de Mac. O malware usado destina-se a roubar informações, como cookies do navegador, carteiras de criptomoedas e capturas de tela.

 

Ao analisar as amostras do malware, a ESET descobriu que se tratava de uma nova campanha GMERA, vista pela primeira vez em setembro de 2019. Desta vez, os autores do malware não apenas envolveram a ameaça em um aplicativo original e legítimo, mas também modificaram o nome do aplicativo comercial Kattana e fizeram cópias de seu site original. Nesse sentido, foram identificadas as seguintes marcas fictícias, sendo utilizadas em diferentes campanhas: Cointrazer, Cupatrade, Licatrade e Trezarus. Além de analisar o código do malware, os pesquisadores da ESET também criaram honeypots para tentar revelar as motivações do grupo de cibercriminosos por trás desse código malicioso.

 

Na época, não foi identificado onde esses aplicativos são promovidos. No entanto, em março de 2020, a Kattana emitiu um aviso sugerindo que as vítimas foram abordadas individualmente com a intenção de induzi-las a baixar um aplicativo malicioso. Embora não tenha sido confirmado que esteja vinculado a essa campanha específica, pode ser o caso.

 

Os sites copiados são configurados para fazer com que o download do aplicativo falso pareça legítimo. Nesse caso, para um usuário que não conhece a Kattana, os sites têm uma aparência legítima.

 

Site malicioso sob o nome de Licatrade contendo um link para baixar o malware

 

O botão de download em sites falsos é um link para um arquivo ZIP que contém o pacote de aplicativos Trojanized. Quando o arquivo é baixado, as modificações nos registros de data e hora dos arquivos contidos no ZIP, bem como a data em que o aplicativo foi assinado e a última modificação (Last-Modified) do cabeçalho HTTP, indicam a data do 15 de abril de 2020. Ao que tudo indica, esta campanha começou nesta data.

 

Para cada uma das outras campanhas analisadas, foi utilizado um certificado diferente. Ambos já foram revogados pela Apple no momento em que a análise começou. No caso da Cointrazer, houve apenas uma diferença de 15 minutos entre o momento em que a Apple emitiu o certificado e os criminosos o usaram para assinar seu aplicativo Trojanized. Isso e o fato de que nada mais foi encontrado assinado com a mesma chave sugerem que eles obtiveram o certificado explicitamente para esse fim.

 

Para saber mais sobre as intenções desse grupo, todas as interações entre o shell reverso dos backdoors do GMERA e os operadores desse malware foram monitoradas. Quando conectado pela primeira vez, o servidor C&C enviou um script curto para coletar o nome de usuário, a versão do macOS e o local (com base no endereço IP externo) do dispositivo comprometido.

 

De acordo com a atividade testemunhada, a ESET conclui que alguns dos interesses dos operadores desse malware são:

 

• Informações do navegador (cookies, histórico)

• Carteiras de criptomoeda

• Capturas de tela

 

“As numerosas campanhas realizadas por esse grupo mostram quanto esforço foi feito no ano passado para envolver os usuários de Mac através do comércio online. Ainda não temos certeza de como alguém se torna uma vítima e consegue baixar um dos aplicativos Trojanized, mas a hipótese de que os operadores entram em contato diretamente com seus alvos e os persuadem através da engenharia social para finalmente instalar o aplicativo mal-intencionado parece ser o problema mais provável”, disse Camilo Gutierrez, chefe do Laboratório de Pesquisa da ESET na América Latina.

Destaques

Colunas & Blogs

Avatar photo
Rui Borges

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Redbelt Security alerta para acúmulo de riscos com avanço de identidades de máquina

Relatórios indicam proporção de 144 identidades não humanas para cada humana, enquanto 47% passam mais de um ano sem troca...
Security Report | Overview

Ciberataques crescem 48% no Brasil em agosto e superam média global

Relatório da Check Point aponta que o país registrou 4.174 ataques semanais por empresa, liderados por investidas contra Governo, Utilities...
Security Report | Overview

Trends virais na internet expõem fragilidades e transformam diversão em superfície de ataque

CISO da DANRESA empresa aponta que brincadeiras com IA e o avanço dos deepfakes exigem maior cautela com a exposição...
Security Report | Overview

Técnica de ataque dribla segurança de IA em 100% dos testes e expõe ponto cego corporativo

Pesquisadores da Check Point mostram que modelos de triagem falharam em identificar instruções maliciosas ocultas em textos comuns, revelando brechas...