A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a integrar as operações das empresas. O desafio agora é ampliar seu uso com segurança, controlar custos e transformar investimentos em resultados. Essa foi a principal mensagem do Dell Technologies Forum 2026, sobre a evolução da tecnologia e sua adoção em escala. “A IA deixou de ser uma promessa para se tornar realidade. Por isso, a discussão mudou: não se trata mais de saber quem está usando inteligência artificial, mas sim quem realmente está gerando valor com ela”, afirmou Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil.
A programação mostrou que gerar valor depende menos da adoção isolada de ferramentas e mais de sua integração à estratégia e aos processos de negócio. Foram apresentados casos do Ministério Público de Minas Gerais, do Hospital A.C.Camargo e do Bradesco, com aplicações em serviços públicos, saúde e relacionamento com pessoas.
Ao abordar a próxima fase da tecnologia, Todd Lieb, vice-presidente global de Parcerias em Cloud da Dell Technologies, defendeu que o foco deve estar nos resultados, e não na IA como recurso isolado. Comparou a infraestrutura necessária da tecnologia à cadeia que impulsionou a indústria cafeeira no Brasil: “Assim como o café precisou de ferrovias, bancos e comércio para chegar a novos mercados, a IA depende de data centers, modelos, softwares, serviços e parceiros para gerar valor”. Como resumiu, “é no caso de uso que está o valor”. Todd também destacou a expansão da capacidade de processamento para os dispositivos, com AI PCs executando modelos menores localmente e recorrendo à nuvem ou ao data center quando necessário.
Em vez de concentrar aplicações automaticamente na nuvem, as organizações passam a escolher onde executar cada carga de trabalho, considerando desempenho, segurança, controle e custos. Todd ampliou ainda a discussão sobre soberania: “mais do que uma questão de governos e países, trata-se do controle que cada organização mantém sobre seus dados, operações e segurança”.
Pesquisa revela avanço e desafios
Dell e IDC também apresentaram estudo inédito sobre a adoção de IA no Brasil. Realizado entre setembro e outubro de 2026, com 250 empresas de diferentes setores, o levantamento mostra que 57% já utilizam a tecnologia. O índice chega a 72% entre grandes empresas e cai para 42% nas pequenas e médias (PMEs). Em 24 meses, a expectativa é alcançar 86% e 46%, respectivamente.
Os agentes de IA também avançam: 58% das organizações ouvidas já utilizam esses sistemas, capazes de executar tarefas com diferentes níveis de autonomia, e a projeção é chegar a 80% em dois anos. Mais de 70% das cargas de IA estão em nuvens privadas e ambientes tradicionais, enquanto segurança, custos e observabilidade aparecem como barreiras à ampliação do uso da nuvem pública.
O consumo de tokens, unidades de processamento dos modelos, acrescenta pressão à gestão financeira. Segundo a pesquisa, 93% das empresas esperam aumento desse consumo nos próximos 12 meses, mas apenas 45% monitoram ativamente o custo por token. A participação da IA no orçamento de TI deve subir de 28% para 42% em dois anos.
Para Diego Puerta, os resultados evidenciam diferenças de maturidade e investimento entre grandes companhias e PMEs, mas também uma oportunidade de ampliar o acesso à tecnologia. O executivo ressaltou que a simplificação dos modelos e ferramentas pode permitir que empresas menores obtenham ganhos de produtividade sem grandes equipes especializadas. Ao mesmo tempo, alertou que o aumento dos custos torna essencial selecionar projetos com retorno claro. “Isso não pode ser uma feira de ciências, onde cada um vai lá e lança uma coisa bacana. Tem que gerar cases que entrem para o negócio e que gerem impacto”, concluiu