78% das ofensivas de DDoS duram apenas cinco minutos

Relatório da Nokia aponta que os ataques de Negação de Serviço Distribuído se tornaram mais rápidos, reduzindo o tempo de reação das operadoras

Compartilhar:

Os ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) estão cada vez mais rápidos e sofisticados, reduzindo o tempo disponível para que provedores de internet e operadoras consigam reagir. Segundo o último Threat Intelligence Report, da Nokia, cerca de 78% dessas ofensivas terminam em até cinco minutos, tornando inviável depender apenas da atuação humana para identificar e conter as ameaças em tempo hábil.

 

O relatório aponta ainda que os ataques passaram a contar com uma infraestrutura muito mais ampla e distribuída. Atualmente, mais de 100 milhões de dispositivos conectados à internet em todo o mundo atuam como proxies residenciais, que funcionam como intermediários na retransmissão de tráfego na rede e ajudam a ocultar a origem dos ataques. Cerca de 25 milhões deles estão no Brasil, o equivalente a um quarto dessa infraestrutura global utilizada para ampliar a escala das ofensivas DDoS.

 

“Em um ataque DDoS, grandes volumes de requisições são enviados simultaneamente contra a infraestrutura de rede, consumindo recursos de processamento e largura de banda. O resultado pode ser a indisponibilidade de serviços para milhares de usuários, além de impactos operacionais e financeiros para provedores de serviços e operadoras de telecomunicações”, explica o diretor de desenvolvimento de negócios de IP Nokia, Adriano Silveira.

 

Diante desse cenário e da necessidade de respostas cada vez mais ágeis, a Inteligência Artificial tornou-se um recurso fundamental para a mitigação desse tipo de ameaça. “O grande desafio é que os ataques DDoS evoluem constantemente, alterando seus padrões de comportamento e explorando novas vulnerabilidades. A IA amplia significativamente a capacidade de detecção ao identificar anomalias no tráfego em tempo real, inclusive em ataques inéditos, permitindo respostas muito mais rápidas e precisas”, explica o diretor.

 

Adriano complementa, ainda, que grande parte desses ataques hoje é impulsionada por botnets, que são redes de dispositivos IoT infectados, como roteadores domésticos e até smart TVs, controlados remotamente para gerar tráfego malicioso em larga escala.

 

Entre as tecnologias disponíveis para esse tipo de proteção está o Nokia Deepfield Defender, plataforma desenvolvida pela multinacional e disponibilizada no Brasil pela DPR Telecomunicações. A solução utiliza algoritmos avançados de IA e aprendizado de máquina para monitorar padrões de tráfego da rede, identificar comportamentos anômalos e correlacioná-los com indicadores de ataques conhecidos e emergentes.

 

A plataforma também utiliza o Genome, base global de inteligência sobre ameaças cibernéticas, alimentada continuamente por eventos observados em redes de operadoras, provedores de serviços e grandes ambientes de internet ao redor do mundo. Outra novidade é o Shield, camada de proteção que atua de forma preventiva na borda da rede, bloqueando automaticamente a comunicação entre botnets e seus centros de comando antes mesmo que o ataque seja iniciado. “Uma mudança de abordagem que passa a antecipar a ameaça, em vez de apenas reagir a ela quando o tráfego malicioso já está em curso”, acrescenta Adriano.
Para atender diferentes perfis de operação, a plataforma está disponível em duas versões: uma voltada para provedores regionais e outra desenvolvida para grandes operadoras, abrangendo ambientes que vão de algumas centenas de gigabits por segundo até infraestruturas em escala de terabits. Além da proteção da infraestrutura, a plataforma permite que provedores e operadoras ofereçam segurança como serviço (Managed Security Services – MSS), transformando a proteção contra ataques DDoS em uma nova fonte de receita.

 

“A tendência é que a IA deixe de ser apenas um diferencial tecnológico e passe a fazer parte da infraestrutura básica de proteção das redes de telecomunicações. Em vez de reagirmos ao colapso, passamos a prever e isolar a anomalia na origem. Trata-se de uma blindagem proativa essencial para manter a integridade dos pacotes legítimos e a continuidade dos serviços em um mercado altamente conectado”, finaliza Adriano.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Fraudes de identidade crescem 31,2% em maio, com uma ocorrência a cada 5,6 segundos

Segundo Mapa da Fraude da Serasa Experian, foram 476.060 tentativas no mês, número representa alta de 4,62% em relação a...
Security Report | Overview

América Latina é segunda região mais exposta a ciberameaças industriais

Relatório da Kaspersky alerta que dado é puxado por phishing e documentos maliciosos. Os ataques buscam obter credenciais e abrir...
Security Report | Overview

Avanço da IA amplia desafios de Segurança e governança nas redes corporativas

40% de 10 mil servidores do protocolo MCP apresentavam falhas e identificaram mais de 15 mil cargas maliciosas de injeção...
Security Report | Overview

Até 2029, maioria dos incidentes de privacidade virá de inferências geradas por IA

Gartner prevê que riscos à privacidade relacionados à IA levam CISOs a ir além da proteção tradicional para incluir a...