A Segurança cibernética precisa acompanhar a evolução dos negócios desde a concepção de produtos e serviços, e não ser tratada apenas como uma camada adicionada quando a operação já está em funcionamento. Esse foi o eixo do estudo de caso “Secure by Design e Resiliência Cibernética: O caminho das empresas que já nascem protegidas”, apresentado por Gian Paixão, Head de Tecnologia da Visagio, ao lado de Leonardo Pinheiro, CRO e sócio da Clavis, durante o Security Leaders Fortaleza.
A experiência da Visagio mostra como essa mudança exige mais do que a adoção de ferramentas: envolve fortalecer a governança, compreender a exposição a riscos e incorporar a segurança às decisões de tecnologia e negócio. Com atuação em diferentes setores, inclusive mercados regulados, e consultores alocados nas operações de clientes no Brasil e no exterior, o grupo enfrenta o desafio de proteger um ambiente distribuído, com diferentes contextos operacionais e necessidades de controle.
“Se não tivermos a governança bem estruturada para que a gente consiga olhar os controles técnicos, os controles humanos e organizacionais, fatalmente vamos deixar brechas ali que serão exploradas”, explicou Paixão. A avaliação reforça que a segurança não depende apenas de controles tecnológicos: acessos inadequados, falhas de comunicação e comportamentos cotidianos também podem abrir caminho para incidentes.
Da governança à Segurança desde a concepção
Nesse processo, a parceria com a Clavis apoia a Visagio na avaliação de maturidade e na definição de prioridades. A partir de frameworks e análises de lacunas, a empresa consegue identificar os pontos que exigem atenção, acompanhar a evolução das não conformidades e direcionar esforços para os riscos mais relevantes. A abordagem também considera a gestão de vulnerabilidades, o monitoramento contínuo e o fator humano, com ações de conscientização e acompanhamento dos consultores.
Como parte dessa estrutura, a Visagio conta com um SOC 24×7, importante para acompanhar um ambiente com operações em diferentes fusos horários. Segundo Paixão, a combinação entre monitoramento e direcionamento especializado contribui para dar mais agilidade à resolução de incidentes. Ele relatou que, naquele ano, a empresa não havia registrado incidentes críticos confirmados, sem afirmar, contudo, que estivesse livre de ocorrências ou alertas.
O aprendizado também passou a orientar a criação de novos negócios dentro do grupo. Paixãocitou a V360, plataforma de gestão de documentos fiscais e antecipação de recebíveis que surgiu a partir de projetos desenvolvidos pela Visagio. Com o apoio da Clavis, a segurança foi considerada desde o início da estruturação da empresa, incluindo os controles necessários e a busca pela certificação ISO 27001. A lógica é incorporar os requisitos de segurança à construção do produto, em vez de tentar corrigir lacunas apenas quando a solução já está em operação.
A mesma abordagem está sendo aplicada a outra iniciativa em desenvolvimento, voltada a ativos jurídicos. Nesse caso, o apoio especializado ajuda a definir processos, controles e ferramentas desde a concepção, suprindo uma lacuna comum em empresas nascentes: embora os fundadores dominem o negócio ou a tecnologia, nem sempre têm a experiência necessária para identificar e priorizar os requisitos de Segurança.
Para Gian, a transformação não significa que organizações que já estão em operação não possam evoluir. “A própria trajetória da Visagio envolve adaptar estruturas existentes, aprimorar controles e direcionar recursos para os riscos prioritários. O objetivo é levar esse aprendizado para as novas empresas desde a origem. Nascer certo custa menos”, resumiu o executivo, ao destacar que incorporar Segurança ao desenvolvimento e preparar as equipes desde a entrada na organização reduz a necessidade de remediações posteriores.