Sites de apostas online no Brasil expõem consumidores a golpes por e-mail

Estudo da Proofpoint revela que 70% das principais plataformas de apostas e jogos do país não bloqueiam ativamente mensagens fraudulentas, ampliando os riscos de phishing e falsificação de marca

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Enquanto o mercado brasileiro de apostas online vive uma rápida expansão em meio a mudanças regulatórias, uma nova pesquisa da Proofpoint, empresa de cibersegurança e conformidade, aponta que a maioria das grandes plataformas do país deixa seus usuários expostos a fraudes por e-mail, phishing e falsificação de marca.

 

O setor de apostas no Brasil cresceu mais de sete vezes (734%) em três anos, impulsionado pelo uso de dispositivos móveis e pela regulamentação. Projeções indicam que a receita brasileira de jogos online deve ultrapassar US$ 3 bilhões até 2030 — frente aos cerca de US$ 1,5 bilhão de 2024 —, em um mercado que já atraiu mais de 50 milhões de apostadores no país.

 

Para avaliar esse cenário, a Proofpoint analisou os 20 maiores sites de apostas e jogos online no Brasil, verificando a adoção do DMARC, padrão de autenticação criado para impedir que cibercriminosos se passem por marcas legítimas. O estudo constatou que apenas 30% das plataformas aplicam o nível máximo de proteção para rejeitar envios fraudulentos, deixando 70% do público vulnerável.

 

Entre as demais empresas avaliadas, 30% utilizam apenas uma política de quarentena, na qual mensagens suspeitas ainda podem alcançar os usuários, e 25% operam somente em modo de monitoramento, permitindo que e-mails não autenticados cheguem às caixas de entrada. Outros 15% (um em cada seis) sequer possuem registro DMARC, ficando totalmente expostos à falsificação.

 

“Em um mercado em rápido crescimento e altamente competitivo como o de apostas online, a confiança na marca é tudo”, afirma Marcos Nehme, Country Manager da Proofpoint no Brasil. “Quando criminosos podem facilmente se passar por plataformas de apostas, eles podem enganar usuários para que compartilhem dados pessoais, credenciais de conta ou informações de pagamento — muitas vezes usando mensagens convincentes ligadas a jogos ao vivo, bônus ou saques.”

 

O e-mail segue como um dos principais vetores de ataque para cibercriminosos, especialmente em ambientes que envolvem dinheiro, urgência e emoção — fatores intensificados em grandes eventos esportivos. Diante do alto volume de ofertas, atualizações de odds e avisos de conta, golpistas conseguem camuflar mensagens maliciosas entre comunicações oficiais.

 

Na prática, o DMARC (Domain-based Message Authentication, Reporting and Conformance) valida se a mensagem enviada em nome de uma marca é autêntica antes que ela chegue ao destinatário. Sem esse controle ativo, atacantes disparam e-mails falsos idênticos aos das operadoras confiáveis, induzindo os apostadores a clicar em links maliciosos ou fornecer dados sensíveis.

 

“O mercado de apostas do Brasil está amadurecendo rapidamente, mas controles básicos de segurança de e-mail ainda estão atrasados”, acrescentou Nehme. “A proteção ao consumidor não depende apenas de regulamentação; exige também que as plataformas assumam responsabilidade por proteger os canais digitais que seus clientes usam todos os dias.”

 

Para reduzir os riscos ao apostar online, a recomendação aos consumidores é proteger suas contas com senhas fortes e exclusivas para cada site, evitando repetir credenciais em diferentes serviços. Também é fundamental habilitar a autenticação multifator (MFA) sempre que disponível, criando uma barreira adicional para proteger dados e saldos.

 

Outra medida importante é desconfiar de bônus e promoções muito vantajosos, já que golpistas usam o nome de plataformas conhecidas para oferecer apostas grátis ou saques falsos. O ideal é ignorar ofertas recebidas por e-mail, mensagem ou anúncios não solicitados, acessando promoções diretamente pelo aplicativo ou site oficial.

 

Os usuários também devem redobrar a atenção contra golpes de phishing e smishing durante eventos ao vivo, quando criminosos enviam alertas falsos sobre bloqueio de conta, saques pendentes ou alteração urgente de odds. Essas abordagens costumam direcionar a vítima para páginas falsas de login criadas para capturar senhas e dados bancários.

 

Por fim, deve-se evitar clicar em links suspeitos enviados por e-mail, SMS, redes sociais ou pop-ups, digitando sempre o endereço oficial manualmente no navegador. Antes de abrir conta, depositar valores ou baixar um aplicativo, vale ainda checar a reputação e o status regulatório da plataforma em fontes independentes.

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