Senadores discutem autonomia da ANPD

Em Projeto de Lei apresentado pelo parlamentar Ângelo Coronel (PSD-BA), propõe-se discutir a atual posição jurídica que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados se encontra agora, visando dar mais segurança para a fiscalização do uso de informações pessoais. Especialistas defendem a mudança, considerando ser essencial para melhorar ainda mais a percepção do mundo sobre a proteção de dados no país

Compartilhar:

O Senado Federal recebeu na última semana o Projeto de Lei nº 615/2024, que busca definir com mais clareza a posição jurídica da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), com vistas a oferecer maior poder decisório da autarquia em seus projetos de regulação do uso de dados pessoais no Brasil. O PL sugere alterar a Lei nº 13.848/19 para incluir a ANPD entre outras agências reguladoras federais, como Anatel e Anvisa.

 

O Senador Ângelo Coronel (PSD-BA), autor do PL na Casa, justifica a sugestão dizendo ser necessário dar mais autonomia decisória à autoridade, pois a posição de “autarquia especial” não define claramente seus limites de atuação. “Na prática”, escreve ele, “a omissão legislativa gera insegurança jurídica e tem suscitado dúvidas sobre a real extensão da autonomia conferida por lei à ANPD”.

 

A Autoridade de proteção de dados foi criada ainda em 2018, como um órgão especial da Presidência da República. Em 2022, ela recebeu a classificação de autarquia especial com autonomia técnica e decisória, mas ainda dependendo de subordinação hierárquica, diferentemente de outros órgãos reguladores. A ideia dessa proposta é colocar a ANPD em pé de igualdade a essas organizações.

 

“Tendo em vista a natureza de nossa atividade e a transversalidade da nossa atuação, é fundamental que a autarquia seja fortalecida, não apenas quanto aos aspectos orçamentário e de pessoal, mas também do ponto de vista jurídico, a fim de assegurar maior segurança jurídica a toda a economia”, defendeu Waldemar Gonçalves, Diretor-Presidente da ANPD.

 

Na visão de especialistas jurídicos, a discussão e eventual aprovação dessa lei permitirá à Autoridade adquirir maior tranquilidade e confiança no momento de atuar como agente fiscalizador dos operadores de dados pessoais. Dessa forma, seria possível ampliar o escopo de controle do mau uso de informações do cidadão perante grandes empresas ou mesmo instituições públicas.

 

Matheus Puppe, sócio da área de TMT, Privacidade & Proteção de Dados do Maneira Advogados, reforça que o PL 615 reflete o compromisso do Brasil com a governança de dados pessoais alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e pavimenta o caminho para a construção mais eficiente de novas leis relacionadas ao mundo digital, como da IA, Identidade, entre outras.

 

“Esse decreto altera a estrutura previamente definida, marcando um passo importante na consolidação institucional da ANPD e com vistas a melhorar sua autonomia técnica e decisória. O Brasil passaria a se alinhar com os princípios internacionais, porém devemos ter a cautela de não tornar as leis que tangem o ambiente digital e a proteção de dados como um entrave para o desenvolvimento econômico”, explica o advogado.

 

Já Luis Fernando Prado, sócio especialista em privacidade e proteção de dados do Prado Vidigal Advogados, ressalta a importância de alinhar as ações nacionais de proteção de informações com o que se tem no resto do mundo. “Esse é um fator-chave para a relevância do Brasil no contexto internacional, podendo ser determinante para o país ser reconhecido como Estado adequado para receber dados protegidos por outras legislações internacionais”.

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Setor financeiro enfrenta alta de 9,5% nas tentativas de fraude de identidade no 1º semestre

Tecnologias de prevenção barraram 1,7 milhão de investidas e protegeram mais de R$ 100 milhões no período
Security Report | Overview

Bancos levam até 12 dias para recuperar aplicações críticas após ataques cibernéticos

Análise da Everpure mostra que a restauração de dados se tornou o principal gargalo da resiliência operacional no setor financeiro
Security Report | Overview

2% das vítimas globais de ransomware no segundo trimestre de 2026 estão no Brasil

Relatório da Check Point Research revela recorde de 93 grupos ativos no mundo, impulsionados pelo uso de inteligência artificial e...
Security Report | Overview

Grupo YAMAM reduz em 94% a taxa de cliques em phishing

Em parceria com a PIERSEC e a Beephish, a estratégia combinou campanhas simuladas, treinamentos e monitoramento contínuo para transformar colaboradores...