2% das vítimas globais de ransomware no segundo trimestre de 2026 estão no Brasil

Relatório da Check Point Research revela recorde de 93 grupos ativos no mundo, impulsionados pelo uso de inteligência artificial e por uma nova dinâmica de extorsão focada no roubo de dados

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O ransomware continua em níveis elevados, mas com profundas mudanças no modelo de atuação cibercriminoso. No segundo trimestre de 2026, a Check Point Research (CPR) registrou 2.139 vítimas globais, um salto de 33% frente ao mesmo período de 2025. O número de grupos ativos chegou a 93, o maior patamar já observado pela equipe de inteligência. 

  

Mais do que o aumento no volume de ataques, o levantamento aponta para uma transformação na economia do ransomware. Os grupos estão reduzindo a dependência da criptografia e priorizando o roubo e a exfiltração de dados como principal mecanismo de extorsão. Embora a taxa de pagamento de resgates tenha caído para cerca de 23%, o mercado movimentou mais de US$ 820 milhões em 2025. 

  

A expansão da inteligência artificial também tem barateado e acelerado o desenvolvimento de operações criminosas. Evidências da CPR mostram que equipes pequenas já usam ferramentas assistidas por IA para criar códigos e infraestruturas em tempo recorde, embora não tenham sido identificados ataques executados de forma 100% autônoma por modelos de linguagem. 

  

“Uma das descobertas mais importantes do trimestre é a rapidez com que as barreiras de entrada estão diminuindo”, afirma Sergey Shykevich, diretor de Threat Intelligence da Check Point Software. “Uma equipe pequena, apoiada por ferramentas assistidas por IA e redes de afiliados, consegue construir uma operação de alto nível em poucos meses. Com a IA acelerando a criação de exploits, mais grupos devem surgir e operar com maior velocidade.” 

  

O Brasil respondeu por 2% das vítimas identificadas globalmente no período. Entre os grupos com atuação registrada no país estão LockBit, The Gentlemen, Krybit, Spacebears, APT73 e Coinbase Cartel. Essa diversidade reflete a fragmentação do mercado, no qual atores menores e fornecedores especializados ganham escala em vez do domínio de poucas operações centrais. 

  

Um dos casos analisados envolve o grupo The Gentlemen, cujo administrador desenvolveu a infraestrutura de gerenciamento do ransomware em apenas três dias utilizando assistentes como DeepSeek e Qwen. A análise de conversas vazadas revelou que a operação contava com apenas nove integrantes no núcleo central, ampliando seu alcance por meio de redes de afiliados e ecossistemas de Ransomware-as-a-Service (RaaS). 

  

Diante do foco em exfiltração, do encurtamento do tempo entre a descoberta e a exploração de vulnerabilidades e da mudança nos métodos de extorsão, a CPR reforça que a proteção de dados deve estar no mesmo nível de prioridade dos backups. Para Shykevich, as organizações precisam migrar para uma abordagem preventiva, reduzindo exposições exploráveis e protegendo credenciais estratégicas antes do acesso inicial. 

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