Segurança empoderada e by design são essenciais na gestão de risco da IA, apontam agências de Cyber

Gestoras de Segurança Cibernética dos países membros da Five Eyes Alliance emitiram uma nota conjunta para alertar sobre os riscos que a Inteligência Artificial pode oferecer, e reafirmam o papel central que as boas práticas de Cyber devem ter em um contexto de acelerada transformação tecnológica

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Agências de Cibersegurança dos cinco países membros da “Five Eyes Alliance” – Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – emitiram uma nota conjunta com vistas a alertar instituições públicas e particulares de todo o mundo sobre os potenciais riscos cibernéticos que a Inteligência Artificial pode gerar, e reforça estratégias e boas práticas para governos, empresas, líderes de SI e sociedades sobre para responder a esse novo cenário.

 

As instituições da aliança orientam que os líderes de Cibersegurança em todo o mundo enderecem os riscos, resiliência e responsabilidades relacionadas a essas ameaças, bem como priorizem práticas e controles essenciais de Cyber Security. Entre essas práticas, o documento reforça:

 

  1. Acelerar processos de patching, colocando essa estratégia a frente da capacidade da IA de explorar vulnerabilidades conhecidas e gerenciáveis;
  2. Reduzir a superfície de ataque, limitando acessos desnecessários e conectividade externa ou mesmo isolando sistemas demasiadamente expostos;
  3. Rever e reforçar controles de identidade e acesso, reduzindo entradas a sistemas críticos, ampliando autenticação e revisando permissões constantemente;
  4. Gerenciar sistemas legados, apontando-os não apenas como fontes de desafios técnicos mais como vulnerabilidades estratégicas;
  5. Preparar as instituições para respostas proativas, testando planos de reação, treinando as equipes e focando em contenção e recuperação rápidas.

 

Da parte das empresas e poder público, é crucial empoderar a Cyber com autoridade e recursos adequados para gerenciar o uso da IA, além de se manterem engajados com a evolução constante das ferramentas. Nesse sentido, as altas gestões devem amplificar estratégias de Segurança por design nos desenvolvimentos, bem como favorecer resiliência plataformizada e manter atenção sobre os impactos de cada nova atualização das linguagens.

 

“Essas medidas não são novas”, alerta o comunicado, “mas agora se tornaram urgentes para reduzir não apenas o risco técnico, como também a exposição operacional, financeira e reputacional. Invasões vão ocorrer, porém a preparação auxiliará a contê-las rapidamente e prevenir escalada a operações maiores ou mesmo crises financeiras. Os riscos Cibernéticos não podem mais ser tradados apenas como problemas técnicos”.

 

A ação é uma tentativa de levar as discussões sobre os impactos da evolução acelerada da IA nos ambientes digitais para os altos escalões sociais dos países, com o objetivo de viabilizar transformações nos meios de gestão de riscos cibernéticos, agora transformados por essa tecnologia. De acordo com o comunicado, a comunidade de Cyber Segurança precisa agir rapidamente para se manter à frente dos potenciais riscos gerados por essa inovação.

 

“Enquanto a IA nos ajudará a melhorar defesas cibernéticas ao longo do tempo, ela também acelerará a velocidade, escala e sofisticação das ciberameaças. Modelos de IA de fronteira devem exceder as expectativas atuais da indústria, transformando fundamentalmente as capacidades tanto ofensivas quanto defensivas. A cronologia não é mais de anos, mas de meses”, alerta a mensagem.

 

Posicionamento surpreende

Conforme aponta os jornais The Guardian e Al Jazeera, o comunicado conjunto é vista como um acordo incomum no âmbito da aliança, que demonstrou capacidade de se posicionar com mais contundência em relação aos impactos da Inteligência Artificial à sociedade conectada. O posicionamento vem à esteira da decisão do governo dos EUA de suspender o uso dos modelos Anthropic Mythos 5 e Anthropic Fable 5 por “cidadãos estrangeiros” no início de junho.

 

As agências reforçam ainda que o documento é movido pela necessidade de uma resposta vinda integramente das organizações públicas e privadas, bem como da própria sociedade, diante de um contexto inédito. “Isso exige uma reavaliação das escolhas de compromisso de longa data e o uso deliberado da IA para fortalecer a defesa, não apenas para eficiência. Os líderes públicos e privados devem garantir que a resiliência cibernética esteja em vigor e funcione mesmo sob pressão”.

 

O pronunciamento foi assinado por David Imbordino, Diretor de Cyber Security da National Security Agency (NSA); Nick Andersen, Diretor em Exercício do Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA); Stephanie Crowe, Head da Australian Cyber Security Centre (ACSC); Rajiv Gupta, Head do Canadian Centre for Cyber Security (CCCS); Catriona Robinson, Head do National Cyber Security Centre (NCSC) da Nova Zelândia; e Richard Horne, CEO do NCSC do Reino Unido.

 

*Com informações dos jornais The Guardian e Al Jazeera

 

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